Foto reprodução TV Senado
Da Redação
Instalada
no Senado Federal em 2021, a CPI da Covid teve a missão de apurar a atuação do
governo federal durante a pandemia.
As
discussões da comissão, que ganharam um grande destaque no debate público,
permitiram que alguns nomes ficassem mais conhecidos. Alguns deles, inclusive,
tentaram uma vaga como deputados federais, senadores e até governadores nas
eleições de 2022.
Incluindo
senadores titulares ou suplentes da comissão e os próprios depoentes, a CPI
sobre a pandemia contou com a participação direta de 78 pessoas no total.
Incluindo
senadores titulares ou suplentes da comissão e os próprios depoentes, a CPI
sobre a pandemia contou com a participação direta de 78 pessoas no total.
Os
bem-sucedidos
Entre
os senadores que compuseram a CPI, dois conseguiram se eleger para um novo
mandato de oito anos: Omar Aziz, do Amazonas, e Otto Alencar, da Bahia. Ambos
são do PSD.
Aziz,
que inclusive atuou como o presidente da comissão, recebeu mais de 783 mil
votos. Já Alencar foi a escolha de 4,2 milhões de baianos.
Três
depoentes também foram bem nas urnas e vão integrar a Câmara dos Deputados a
partir de 2023.
O
caso que chamou mais atenção foi a do general Eduardo Pazuello (PL-RJ), que foi
ministro da Saúde num dos períodos mais graves da pandemia no país, marcado
pela crise da falta de oxigênio em Manaus no início de 2021.
Com
205 mil votos, Pazuello se tornou o segundo candidato a deputado federal mais
votado no Rio de Janeiro.
Outro
nome de destaque na política nacional durante a pandemia foi o do deputado
federal Osmar Terra (MDB-RS), crítico das medidas de restrição e defensor da
ideia de imunidade de rebanho contra a covid.
Ele
acabou reeleito para o Legislativo com mais de 103 mil votos.
Ricardo
Barros (PP-PR), líder do atual governo na Câmara e ex-ministro da Saúde no
governo de Michel Temer (MDB), é outro que seguirá como deputado federal no ano
que vem após ter sido escolhido por 107 mil paranaenses.
Durante
a CPI, o nome de Barros foi envolvido em supostas negociações suspeitas para a
compra de vacinas. Ele nega as acusações.
Para
fechar a lista, Fausto Junior (União-AM) era deputado estadual do Amazonas
quando depôs na CPI da Covid.
Nas
eleições de 2022, ele disputou o cargo de deputado federal e recebeu 87 mil
votos.
Passaram
para a próxima fase
Entre
os senadores que participaram da CPI e decidiram concorrer ao governo de seus
Estados, quatro tiveram uma votação suficiente para estar no segundo turno.
No
Amazonas, Eduardo Braga (MDB) ficou com 20,9% dos votos e vai disputar o cargo
com o atual governador Wilson Lima (União), que foi a escolha de 42,8% dos
eleitores.
O
pleito em Rondônia se mostrou mais apertado: o senador Marcos Rogério (PL) teve
37% dos votos e ficou pouco menos de dois pontos percentuais atrás do Coronel
Marcos Rocha (União), com 38,8%.
Já
no Sergipe, a situação foi contrária: com 44,7% dos votos, o senador Rogério
Carvalho (PT) está no segundo turno contra Fábio (PSD), com 38,9%.
Em
Santa Catarina, o senador Jorginho Mello (PL) conquistou a dianteira com 38,6%
dos votos e está no segundo turno contra Décio Lima (PT), que foi a preferência
de 17,4% dos catarinenses.
Na
corrida para a Câmara dos Deputados, dois depoentes da CPI não conquistaram
apoio suficiente para se eleger de primeira, mas entraram na lista de suplentes
— o que significa que eles podem ser chamados caso outros candidatos com uma
votação superior não possam assumir o cargo no ano que vem.
No
Ceará, a médica Mayra Pinheiro (PL) obteve mais de 71 mil votos. Como
secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde,
ela ficou conhecida como "capitã cloroquina", por ser uma das
defensoras de tratamentos ineficazes contra a covid.
Luis
Miranda (Republicanos), que já era deputado pelo Distrito Federal, desta vez
concorreu a uma vaga por São Paulo, onde obteve 8,9 mil votos.
Miranda
protagonizou um dos momentos mais tensos da CPI quando declarou que o
presidente Jair Bolsonaro (PL) tinha suspeitas sobre o deputado Ricardo Barros
por causa de supostas irregularidades nas negociações de compra das vacinas
contra a covid.
Ficaram
pelo caminho
Por
fim, cinco participantes da CPI não tiveram votação para conquistar o cargo que
almejavam.
O
senador Alessandro Vieira (PSDB) tentou virar governador de Sergipe, mas acabou
a corrida eleitoral em terceiro lugar, com 10,8% dos votos.
O
também senador Luis Carlos Heinze (PP) se candidatou ao Executivo do Rio Grande
do Sul. Ele obteve 4,2% dos votos e ficou em quarto lugar.
Ambos
foram eleitos em 2018, então seguem no Senado Federal pelos próximos quatro
anos.
Entre
os depoentes, três não conseguiram um número suficiente de eleitores para
conquistar uma cadeira no poder Legislativo.
Amilton
Gomes de Paula (Pros), suspeito de intermediar uma suposta venda de vacinas,
concorreu a deputado distrital. Ele só teve, porém, 86 votos no total.
A
médica imunologista Nise Yamaguchi (Pros), que se notabilizou pela defesa da
cloroquina e outros medicamentos ineficazes contra a covid, também buscava uma
vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo.
Os
36 mil votos não foram o bastante para que ela figurasse no rol dos
representantes paulistas na próxima legislatura.
O
último caso de fracasso envolveu Luiz Henrique Mandetta (União), ex-ministro da
Saúde do governo Bolsonaro.
Ele concorria ao Senado pelo Mato Grosso do Sul, mas obteve 15,1% dos votos e ficou atrás de Tereza Cristina (PP), escolhida por 60,8% dos eleitores do Estado.
Este texto foi publicado originalmente em:
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63123680
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