ELEIÇÕES 2022: Dividida, esquerda corre o risco de ficar de fora do 2º turno no Rio Grande do Sul de novo

© Fornecido por Estadão
Por: Érico Almeida Fabres - 

ESPECIAL PARA O ESTADÃO, PORTO ALEGRE - Sem acordo, os pré-candidatos no Rio Grande do Sul Edegar Pretto (PT), Beto Albuquerque (PSB) e Pedro Ruas (PSOL) podem deixar a esquerda de fora de um provável segundo turno da eleição ao governo do Estado pela segunda vez seguida. Hoje, conforme pesquisas, o ex-governador Eduardo Leite (PSDB) - que renunciou ao cargo em março -, e o ex-ministro Onyx Lorenzoni (PL) lideram as intenções de voto. A divisão das candidaturas de esquerda neste ano pode repetir o cenário de 2018, quando o segundo turno foi disputado entre Leite e o então governador, José Ivo Sartori (MDB).

das agendas de pré-campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Estado. Beto Albuquerque (PSB) é deputado federal, foi candidato a vice-presidente ao lado de Marina Silva (Rede) em 2018 e, antes, secretário de Infraestrutura no RS no governo de Tarso Genro (PT). Já Pedro Ruas (PSOL), hoje deputado estadual e antes no PDT, já foi o vereador mais votado de Porto Alegre.

Cada um dos representantes da esquerda gaúcha dá um motivo para não selar um acordo: da posição nas pesquisas de intenção de voto até a capacidade de reação e mobilização da sigla que representam para impulsionar a candidatura ainda no primeiro turno e conquistar uma vaga no segundo. O levantamento mais recente no Estado, de 16 de junho, da Exame/Ideia, aponta Onyx com 25% das intenções de voto, seguido de Leite, com 20%. Albuquerque e Pretto têm 11% e Ruas, 7%.

Para o presidente do PSB/RS, Mário Bruck, ainda existe a possibilidade de uma frente de esquerda para evitar um segundo turno com Leite e Onyx. “No momento, estamos trabalhando para isso. Estamos conversando, tentando achar uma unidade”, disse. Apesar de acreditar na aliança, o presidente do PSB disse que “não está nos planos do Beto abrir mão da cabeça da chapa”: “Entendemos que ele pode ampliar a votação no segundo turno e ganhar as eleições. As próprias pesquisas dizem isso”.

Além de esperar que Albuquerque, ex-deputado federal, lidere essa aliança de esquerda, Bruck considera que seria importante essa frente contar com o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Pretto, hoje deputado estadual, afirmou que já é o candidato de Lula e declarou que gostaria de costurar uma frente ampla contra o bolsonarismo, mas sabe das dificuldades. “Esta é nossa prioridade. Compor uma grande frente, não só com os partidos, mas também com setores de toda a sociedade e assim vencer os projetos representados por Eduardo Leite, no Estado, e Bolsonaro, no Brasil”, disse. Ele alega já ter acordos com PC do B e PV, além de manter conversas com o PSOL e buscar retomar os diálogos com o PSB. “Isto nos faz ter certeza que a frente existirá, se não for no primeiro, no segundo turno”, afirmou o deputado.

“É importante que se diga: essa candidatura não é somente minha para abrir mão. Ela é do conjunto das forças do PT, dos ex-governadores Olívio Dutra e Tarso Genro, do senador Paulo Paim, das bancadas estaduais e federais no Estado. Como o próprio Lula disse, a candidatura mais viável para ir para o segundo turno é aquela que tem maior densidade de militantes, estrutura e representação parlamentar. Por isso, acreditamos, e vejo pela mobilização em cada agenda que participo, que o povo enxerga na nossa candidatura a esperança de vitória”, declarou Pretto.

Pedro Ruas disse também que “está aberto para conversar sobre coligações”, mas destacou ter sido escolhido pelo PSOL para ser candidato: “Nas pesquisas de intenção de votos dos partidos de esquerda estou na frente, então eu não abriria mão de encabeçar a chapa. Podemos ter uma aliança com o PT, mas não com o PSB que nem considero de esquerda, já que fez parte do governo Sartori e apoiou privatizações”.

Nome forte da esquerda gaúcha, a ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PC do B) defendia a unidade das legendas de esquerda - ela considerava possível uma aliança entre Albuquerque e Ruas. A candidata a vice na chapa liderada por Fernando Haddad (PT), que foi derrotada por Bolsonaro na eleição presidencial passada, Manuela, que chegou em 2020 ao segundo turno na disputa à Prefeitura de Porto Alegre, não deverá concorrer a nenhum cargo neste ano, alegando seguidas ameaças contra ela e sua família.

Sem união, chances de ter a esquerda no segundo turno são remotas, diz especialista

Para o cientista político Bruno Schaefer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), são muito remotas as chances de a esquerda colocar candidato no segundo turno se não fechar uma aliança. “O cenário político no Rio Grande do Sul mudou, podemos perceber isso na última eleição, quando foram para o segundo turno Sartori e Leite. As próprias pesquisas hoje mostram isso, com Onyx e Leite na frente. O eleitor gaúcho está mais voltado para a direita e a esquerda só terá alguma chance se definir uma frente, desunidos quase impossível”, disse.

 

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