ELEIÇÕES 2022: - Presidente Bolsonaro entra em turnê pelo pais em busca de reconquistar votos para o pleito de outubro

Apoiadores levantam as mãos para Jair Bolsonaro enquanto pastores evangélicos rezam por ele em um comício em Parnamirim, Brasil. Foto: Francisco Proner/Agence VU

Bolsonaro cumprimenta apoiadores em Parnamirim. Foto: Francisco Proner/Francisco Proner/ Agence VU'

Ele veio a cavalo e usou uma carranca enquanto falava, dizendo a milhares de crentes vestidos de amarelo que enfrentaram uma importante batalha do bem contra o mal.

"O bem sempre triunfou – e desta vez não será diferente. O bom vai prevalecer!" O forasteiro gritou enquanto seus seguidores cercavam o palco que havia sido erguido para recebê-lo nesta sufocante cidade satélite no nordeste do Brasil.

O autor do discurso foi Jair Bolsonaro, o populista de extrema-direita, citado na Bíblia, defendido em termos quase celestiais por seus apoiadores.

"Eu o amo. Ele é meu guerreiro", disse Diego Rodrigues da Silva, 27 anos, um cristão evangélico que havia cavalgado para o evento em uma bicicleta pintada com a palavra "Jesus".

"Onde quer que ele vá, eu também vou", disse Rosaria Valente, 65, da cidade amazônica de Belém. Ela chamou Bolsonaro de "o único presidente de verdade que eu já vi".

Minutos depois, a multidão irrompeu em aplausos eufóricos quando seu desbravador chegou em um cavalo branco com a bandeira amarela e verde de seu país envolta em seu pescoço. "Brasil acima de tudo", gritou Bolsonaro. "Deus acima de tudo", gritaram de volta – o slogan do governo iliberal de Bolsonaro desde sua vitória eleitoral de 2018.

Esse governo buscará estender sua permanência no poder em outubro, quando 150 milhões de brasileiros escolherem o próximo líder da maior democracia da América Latina.

Com a luta pelo poder se intensificando, Bolsonaro vem percorrendo o país em um esforço para projetar força e popularidade e reconquistar milhões de eleitores que o abandonaram como resultado de sua resposta desordenada a Cov e à consequente dor econômica e social. "Todos nós temos uma missão aqui na Terra e minha missão foi uma das mais espinhosas que um chefe de Estado poderia enfrentar", disse Bolsonaro ao comício de Parnamirim, defendendo seu manejo de uma doença que já matou mais de 660 mil brasileiros e contra a qual ele afirma não ter sido vacinado.

No início deste ano, alguns opositores de Bolsonaro esperavam que suas chances de um segundo mandato tivessem evaporado, com pesquisas mostrando uma lacuna bocejando entre o ex-capitão do exército e seu rival de esquerda, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Bolsonaro continua sendo o azarão, abominado por milhões de cidadãos e evitado por grande parte da comunidade internacional por seu ataque ao meio ambiente e à democracia do Brasil. Mais da metade dos brasileiros dizem que nunca votariam nele. Mas, nas últimas semanas, a votação de Bolsonaro melhorou, frustrando previsões progressistas de que ele estava fora para a contagem.

"Não acho que a eleição seja ganha – longe disso", disse Jairo Nicolau, autor de um livro que explora a surpreendentemente resiliente base de apoio de Bolsonaro.

Nicolau ainda considerava Lula o favorito claro graças à sua popularidade entre eleitores do sexo feminino, nordestinos e pobres. Mas a eleição ainda está a seis meses de distância e o feitiço que Bolsonaro lançou sobre muitos conservadores – um "fenômeno cultural" que Nicolau compara ao trumpismo – significava que ele não era um inimigo comum. Salvo a crise econômica, milhões de eleitores de Bolsonaro apoiariam seu homem.

"É realmente notável. Ele estabeleceu uma relação com parte do Brasil que é realmente rara para um político. É quase como se ele fosse um ídolo do futebol... Eles vêem Bolsonaro como um herói", disse Nicolau.

Tal veneração é óbvia em Parnamirim, uma cidade conservadora que cresceu em torno de uma base aérea construída para apoiar os esforços aliados na Segunda Guerra Mundial e abriga muitos oficiais militares.

"Ele é um visionário", disse Marcelo Chianca, 73 anos, que foi ao aeroporto cumprimentar Bolsonaro em sua moto de três rodas. Branca, bem educada e bem-educada, Chianca, uma economista aposentada amante do vinho, é uma típica representante da base de Bolsonaro. Mas ele também desfruta de apoio nas periferias dilapidadas de Parnamirim, em parte graças a bilhões de libras em pagamentos previdenciários sendo distribuídos antes da votação.

"Ele tem uma conexão real com os pobres", disse Ana Paula da Silva, evangélica de 29 anos, grávida do quarto filho e que sobrevive com uma mesada mensal de 80 libras chamada Auxílio Brasil.

A lógica sugeria que o marido apoiaria Lula. Ronaldo Cavalcante nasceu na pobreza rural na mesma cidade, Garanhuns, como primeiro presidente da classe trabalhadora do Brasil. Ele já trabalhou para um dos primos de Lula.

Mas Cavalcante, um jardineiro de 38 anos, também era fã de Bolsonaro e disse que consideraria dar ao seu filho ainda não ter nascido o segundo nome do presidente, Messias. "É um nome bonito, não é?", Disse ele. "Para dizer a verdade, de todos os políticos que tivemos, o que eu mais admirei é ele."

A natureza potencialmente apertada do que parece ser uma corrida de dois cavalos entre Bolsonaro e Lula deixou muitos se preparando para um período conturbado e possivelmente violento. Somando-se a esses temores estão as dezenas de milhares de armas de fogo que entraram em circulação sob um presidente pró-armas que afrouxou dramaticamente as leis de armas.

Críticos acusam Bolsonaro de convidar desordem com sua linguagem de confronto. "Uma população armada nunca será escravizada", disse ele a apoiadores em Parnamirim, muitos dos quais usavam camisetas estampadas com imagens de revólveres ou rifles de assalto.

Elisangela Silva da Costa Palombo, ativista e professora de esquerda que mora nas proximidades, expressou indignação com a retórica divisiva do "bem e do mal" usada por Bolsonaro. "Não importa quantas vezes ele diga que representa o bem, ele é realmente mau disfarçado de bom – e as pessoas estão acordando para isso", disse ela.

Lindomar Alves de Sousa, evangelista de fala mansa que fazia parte da comissão de acolhimento de Bolsonaro, reconheceu o "estilo bruto" do presidente, mas disse que era necessário, pois ele estava se esforçando para salvar o Brasil do que chamou de totalitarismo comunista. "Ele não é um cara polido – mas está fazendo o que queremos", disse o pregador de 58 anos após a adoração noturna em sua igreja, Heal Our Land.

Na manhã seguinte, Sousa se juntou a Bolsonaro no palco em Parnamirim vestindo uma camisa amarela simbolizando sua lealdade. "Deus levantou este homem e ninguém toca aqueles levantados por Deus – ninguém!", proclamou o evangelista, instando os partidários a levantar os braços em oração. "Nosso querido pai, agradecemos pela vida do nosso presidente. Foi por este momento da história que você o levantou – e você, Senhor, vai sustentá-lo."

Enquanto os bolsonaristas saíam do evento, eles passaram pelo ativista de direita Walter Sabino, que vendia cópias de um livro auto-publicado denunciando uma suposta conspiração da mídia de esquerda contra o presidente.

"Por que eu escrevi isso?" Sabino pede na introdução de 'Bolsonaro x Imprensa: Distorções, Mentiras e Fake News'. "Simples: porque eu acredito no meu país e não quero que ele seja apreendido pela esquerda novamente... Acredito que sou uma das milhões de engrenagens que Deus está usando para resgatar esta nação."

Sabino, 39, afirmou que Bolsonaro estava sendo injustamente demonizado por infiltrados de esquerda na mídia: "Eles o pintam como um monstro ... mas cada vez mais as pessoas percebem que ele não é nada disso: que ele é uma pessoa simples, comum e boa."

De repente, os devotos de Bolsonaro viram seu capitão partindo via ferrovia leve e a voz de Sabino ficou sobrecarregada por seus cânticos exultantes.

"Você realmente acha que uma pessoa como esta virá em segundo lugar?", Perguntou o autor enquanto seus compatriotas uivavam de prazer. "De jeito nenhum! É uma mentira!

Fonte: Matéria publicada originalmente pelo site de notícias americano The Guardian


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