Presidente da Ucrânia diz que 16 mil estrangeiros se ofereceram para ir à guerra contra a Rússia

 

Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia (Foto: Wikimedia Commons)

Antes de ser invadida pela Rússia, a Ucrânia vinha preparando sua população civil para combater em caso de uma eventual guerra. O conflito teve início no dia 24 de fevereiro, com a agressão das tropas russas ao país vizinho. Dias depois, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky passou a convocar também os estrangeiros a pegarem em armas para defender seu país. Desde então, segundo ele, 16 mil voluntários se ofereceram para fortalecer as defesas contra Moscou, segundo o jornal The Washington Post.

O líder ucraniano citou o número em um vídeo postado no aplicativo russo de mensagens Telegram, no qual chamou os voluntários de “legião internacional”. Para facilitar o trânsito de quem estiver disposto a defender a Ucrânia, Zelensky suspendeu a necessidade de visto para o ingresso no país. O movimento remete à guerra Civil Espanhola, que ocorreu entre 1936 e 1939 e também contou com milhares de estrangeiros na luta contra o fascismo do ditador Francisco Franco

“Qualquer um que queira se juntar à defesa da Ucrânia, da Europa e do mundo pode vir e lutar lado a lado com os ucranianos contra os criminosos de guerra russos“, disse o Ministério da Defesa da Ucrânia em comunicado. “Não temos nada a perder, a não ser nossa própria liberdade”, reforçou Zelensky.

No Facebook, o Ministério publicou instruções de como se preparar e ingressar na Ucrânia para lutar. “Se você tem experiência de combate ou quer ganhá-la ao lado de bravos defensores ucranianos, é hora de agir. Junte-se à legião internacional de defesa territorial”, diz o post.

Por enquanto, a maioria dos estrangeiros em ação na Ucrânia é procedente de ex-repúblicas soviéticas, como Geórgia e Belarus. Mas há relatos de voluntários norte-americanosjaponeses e britânicos. O governo da Letônia, por exemplo, autorizou oficialmente seus cidadãos a lutarem. Já os EUA alertam seus cidadãos de que incorreriam em irregularidade caso se alistassem para combater por um país estrangeiro.

Um britânico em Kiev

O britânico Macer Gifford, ex-militar com experiência de combate no Afeganistão, é um dos voluntários a combater na Ucrânia. Ele viajou a Kiev no início do conflito, para ajudar as forças ucranianas a estabelecer um programa de primeiros socorros no campo de batalha. E já retornou ao Reino Unido, segundo a revista Newsweek.

“Ouvi falar de potencialmente centenas de pessoas que estão pensando em ir para a Ucrânia. Já conheço meia dúzia de pessoas, se não mais, que estão lá”, diz ele, que após deixar o exército lutou como voluntário ao lado das forças curdas contra os Estado Islâmico (EI) na Síria. “Este conflito (na Ucrânia) tem apenas uma semana, e existe o potencial real de que as brigadas internacionais cheguem aos milhares”.

Agora, de volta a seu país, Gifford diz que pretende apoiar a “legião internacional” de Zelensky com orientações àqueles que planejam lutar na Ucrânia, em particular ex-militares e engenheiros. “Não sou um recrutador, sou um facilitador”, afirma. “Ficarei feliz em ajudar alguém que deseje ir e aconselhar as pessoas. Mas deve estar absolutamente claro que, se decidirem ir, é inteiramente por conta deles”.

Nesse sentido, o britânico faz outro alerta. “Eles não receberão apoio do governo britânico. Se forem capturados pelos russos, podem não ser reconhecidos como prisioneiros de guerra legítimos e podem ser tratados como criminosos”, diz. “O governo britânico não vai resgatá-los. Precisa ficar claro que, se estão se juntando às forças armadas ucranianas, não estão se juntando às forças armadas britânicas”.

Por que isso importa?

A escalada de tensão entre Rússia e Ucrânia, que culminou com a efetiva invasão russa ao país vizinho no dia 24 de fevereiro, remete à anexação da Crimeia pelos russos, em 2014, e à guerra em Donbass, que começou naquele mesmo ano e se estende até hoje.

O conflito armado no leste da Ucrânia opõe o governo central às forças separatistas das autodeclaradas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, que formam a região de Donbass e foram oficialmente reconhecidas como territórios independentes por Moscou. Foi o suporte aos separatistas que Putin usou como argumento para justificar a invasão, classificada por ele como uma “operação militar especial”.

“Tomei a decisão de uma operação militar especial”, disse Putin pouco depois das 6h de Moscou (0h de Brasília) de 24 de fevereiro, de acordo com o site independente The Moscow Times. Cerca de 30 minutos depois, as primeira explosões foram ouvidas em Kiev, capital ucraniana, e logo em seguida em Mariupol, no leste do país, segundo a agência AFP.

Desde o início da ofensiva, as forças da Rússia caminham para tentar dominar Kiev, que tem sido alvo de constantes bombardeios. O governo da Ucrânia e as nações ocidentais acusam Moscou de atacar inclusive alvos civis, como hospitais e escolas, o que pode ser caracterizado como crime de guerra ou contra a humanidade.

Fora do campo de batalha, o cenário é desfavorável à Rússia, que tem sido alvo de todo tipo de sanções. Além das esperadas punições financeiras impostas pelas principais potencias globais, que já começaram a sufocar a economia russa, o país tem se tornado um pária global. Representantes russos têm sido proibidos de participar de grandes eventos em setores como esportecinema e música.

De acordo com o presidente dos EUA, Joe Biden, as punições tendem a aumentar o isolamento da Rússia no mundo. “Ele não tem ideia do que está por vir”, disse o líder norte-americano, referindo-se ao presidente russo Vladimir Putin. “Putin está agora mais isolado do mundo do que jamais esteve”.

Com informações do site de notícias internacionais A Referência

Para ler mais acesse, www: professortacianomedrado.com

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