Da Redação
Um
dia depois de a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo) ter registrado variação de 10,06% em 12 meses, o presidente
Jair Bolsonaro (PL) creditou a alta de preços a políticas de distanciamento social
defendidas por governadores e a um fenômeno global.
Questionado
numa entrevista virtual sobre os impactos da inflação em sua campanha pela
reeleição, o mandatário comparou ainda os índices com o final do governo Dilma
Rousseff (PT) --em 2015, o índice acumulado bateu em 10,67%.
"Olha
só, se não me engano em 2014 ou 2015 a inflação foi de 10% também. Me aponte
qual crise aconteceu nesses dois anos? Não teve crise nenhuma. Nós tivemos aqui
a questão da Covid", declarou Bolsonaro.
"Com
a política do fique em casa a cadeia produtiva sofreu solavancos e a inflação é
uma questão natural", complementou.
Em
seguida, ele afirmou que o aumento de preços de itens como os combustíveis tem
ocorrido "no mundo todo".
"Ou
alguém acha que eu sou o malvadão? Foi aumentado o preço da gasolina e diesel
ontem porque eu sou o malvadão. Primeiro que eu não tenho controle sobre isso.
Eu já falei algumas vezes que se eu pudesse, ficava livre da Petrobras",
afirmou.
"O
preço de combustível encareceu no mundo todo".
Na
terça (11), a Petrobras informou um novo aumento nos preços do diesel nas
refinarias (8%), enquanto a gasolina vendida às distribuidoras teve aumento
médio de 4,85%.
Em
carta aberta divulgada na terça, o presidente do BC (Banco Central), Roberto
Campos Neto, atribuiu o estouro da meta de inflação em 2021 aos sucessivos
choques de custos e enfatizou que trata-se de movimento observado também em
outros países.
"De
fato, a aceleração significativa da inflação em 2021 para níveis superiores às
metas foi um fenômeno global, atingindo a maioria dos países avançados e
emergentes", disse o texto, endereçado ao ministro da Economia, Paulo
Guedes.
Na
véspera, em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro
já havia culpado as medidas restritivas adotadas ano passado por conta da Covid
pela inflação.
"Agora temos problemas. Econômico, inflação, está o mundo todo com esse problema. Lembram do 'fique em casa a economia a gente vê depois?' Estão vendo a economia. Ficou em casa, apoiou, agora quer me culpar da inflação", disse.
Com informações da FolhaPress.
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