As
dificuldades enfrentadas pela democracia atualmente são o desafio definidor do
nosso tempo, disse Joe Biden, presidente dos EUA, ao dar início à primeira
Cúpula da Democracia, evento organizado pelo governo americano que pretende
buscar novas formas de garantir a participação popular na política. As informações são da Folha Press.
Em
sua fala, Biden citou autocratas que tentam ampliar seu poder à força e o aumento
da polarização política. "Estamos muito preocupados com toda a crescente
insatisfação das pessoas pelo mundo com governos democráticos. Elas sentem que
[os líderes] estão falhando em atender suas necessidades. Na minha visão, este
é o desafio definidor do nosso tempo", disse o democrata, na manhã desta
quinta (9).
O
líder americano estava em uma mesa, em frente a um telão que reunia
videochamadas dos mais de 100 líderes estrangeiros participantes. O presidente
do Brasil, Jair Bolsonaro (PL), era um dos espectadores.
"A
democracia precisa de defensores. Quis organizar esta cúpula aqui nos Estados
Unidos porque sabemos que renovar nossa democracia e fortalecer nossas
instituições democráticas requerem esforço constante. A democracia na América
está em uma luta contínua para manter nossos ideais elevados e curar nossas
divisões", disse Biden. "A democracia não acontece por acidente.
Precisamos renová-la a cada geração".
Biden
anunciou que os EUA planejam gastar US$ 224 milhões no ano que vem para estimular
a transparência e o acompanhamento público das ações do governo. Sobre
liberdade de imprensa, que o democrata chamou de "pedra fundamental da
democracia", será criado um fundo internacional para ajudar meios de
comunicação independentes. Haverá também outro fundo para ajudar jornalistas
investigativos que sejam alvo de processos ao fazerem seu trabalho.
Novos
anúncios de programas devem ser feitos ao longo do evento. A cúpula tem como
eixos o combate ao autoritarismo, luta contra a corrupção e ampliação do
respeito aos direitos humanos.
Cerca
de 110 países foram convidados para o evento, que terá a maior parte das
conversas feita de modo virtual. Bolívia, China, Hungria e Rússia são alguns
dos governos que ficaram de fora. A China tem feito ataques ao evento e diz que
os EUA não podem se considerar a instância global que determina unilateralmente
quem é, ou não, democrático.
Biden
tem reconhecido que os EUA também enfrentam desafios com a democracia em seu
próprio território e dito que os americanos buscam criar um encontro de troca
de experiências entre vários países, sem imposições.
Após
a fala do presidente, teve início uma reunião virtual prevista para durar duas
horas entre os líderes dos países, a portas fechadas. A primeira hora será liderada
pelo presidente americano, e a segunda, por Ursula von der Leyen, presidente da
Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia.
Depois,
haverá debates abertos ao público sobre como reforçar a democracia, recuperar
instituições após a pandemia e combater a corrupção. As discussões terão
participação de governantes, especialistas e outros representantes da
sociedade.
Na
sexta (10), as atividades começam às 6h (8h em Brasília), com discurso de
António Guterres, secretário-geral da ONU. Em seguida, haverá debates sobre
proteção aos direitos humanos, combate ao autoritarismo e uso da tecnologia. Às
13h30 (15h30), Biden fará a fala de encerramento da cúpula.
Ao
longo dos dois dias, serão exibidos, via internet, vídeos gravados com
discursos dos líderes mundiais, nos quais eles devem dizer seus compromissos
para reforçar a democracia. O vídeo com a fala de Bolsonaro não foi incluído na
relação do material a ser exibido nesta quinta, e a programação de sexta ainda
não foi divulgada.
No
documento que formaliza os compromissos do Brasil, enviado aos organizadores da
cúpula antes do evento, o governo brasileiro acusa a mídia tradicional de
desinformação e pede liberdade de expressão na internet para vozes de
diferentes ideologias.
Como
na Cúpula do Clima, realizada em abril, a ideia é que os países façam um
monitoramento conjunto dos avanços uns dos outros, sem que esteja claro quais
seriam as punições em caso de retrocessos.
Apenas
uma brasileira foi chamada para participar dos debates públicos oficiais do
encontro. Na quarta (8), a ativista Patricia Zanella esteve em uma sessão sobre
como ampliar a participação feminina na política. As apresentações da cúpula
podem ser assistidas no site do evento, que oferece tradução em português.
Para ler mais acesse, www: professortacianomedrado.com
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