Da
Redação
A
partir desta quinta-feira (9), durante dois dias, acontece a Cúpula
Pela Democracia, um evento virtual organizado pelos Estados Unidos e com a presença
de cerca de cem países convidados. Excluída, a China tratou de realizar seu
próprio Fórum Internacional da Democracia, no último final de semana. Uma
tentativa de o governo Xi Jinping se vender como uma democracia, só que dentro
de seus próprios conceitos distorcidos, segundo a rede norte-americana CNN.
No
discurso de abertura do evento organizado por Beijing, no último sábado (4),
Huang Kunming, chefe da propaganda do Partido
Comunista Chinês (PCC), descreveu a China como uma “verdadeira
democracia que funciona”. E apresentou uma publicação intitulada “China:
Democracia que Funciona”.
Diz
o documento: “Não existe um modelo fixo de democracia; ela se manifesta em
muitas formas. Avaliar a miríade de sistemas políticos do mundo em um único
padrão e examinar diversas estruturas políticas monocromáticas é em si
antidemocrático”.
O
evento organizado pela China foi claramente uma resposta à esnobada
norte-americana, que também deixou a Rússia de fora da cúpula. “A
democracia é um valor compartilhado pela humanidade, ao invés de uma patente
que só pode ser definida por alguns países”, disse a rede de TV estatal
chinesa CGTN,
num recado claro a Washington.
Além
de tentar vender a ideia que de é um país democrático, a China tem
constantemente atacado os conceitos democráticos norte-americanos. “O propósito
dos EUA não reside na democracia, mas na hegemonia“,
disse no início de dezembro o conselheiro de Estado e ministro das Relações
Exteriores Wang Yi, segundo o jornal estatal China
Daily. “Os EUA procuram se intrometer nos assuntos internos de outros
países sob a bandeira da democracia e abusar dos valores
democráticos para criar divisões”, acrescentou.
A
autodeclarada “democracia” chinesa não emplaca nos países desenvolvidos, que
jamais deixaram de tratar Beijing como um governo autoritário. Entretanto, Dali
Yang, cientista político da Universidade de Chicago, entende que a propaganda
da China pode encontrar maior receptividade em certas nações em
desenvolvimento. Isso porque o autoritarismo de Xi é acompanhado pelo
desenvolvimento econômico.
“Acho
que parte da ênfase na produção de resultados pode realmente ser persuasiva
para as pessoas”, disse Yang. “Não se pode subestimar a porcentagem de pessoas
que estão dispostas a sacrificar alguns elementos da democracia por um melhor
bem-estar econômico”.
Por
que isso importa?
Com
base na definição de democracia da ONU (Organização das Nações Unidas), a China
claramente não se enquadra no conceito. Afinal, o país tem um sistema de
partido único que está no poder há sete décadas, não tem separação de poderes ou
independência do judiciário, a mídia
é censurada, as liberdades de associação, expressão
e opinião não existem e o sistema político não comporta eleições
periódicas livres e justas por sufrágio universal.
No
“ranking da liberdade” da ONG Freedom
House, com sede em Washington, a China está entre os últimos colocados, com
base em 25 medidas de direitos políticos e liberdades civis. O país soma apenas
nove pontos de cem possíveis, acima apenas de outras 13 nações que têm
pontuação ainda mais baixa.
Na
China, o simples fato de citar a democracia leva à repressão do Estado. Algo
que ficou claro nos protestos
de 2019 em Hong
Kong, que até hoje rendem prisões e denúncias contra seus organizadores e
participantes. Segundo a ONG Hong Kong Watch, baseada no Reino Unido, até
o dia 31 de janeiro deste ano, 10.294 pessoas
foram presas por motivação política em Hong Kong, sendo que cerca de
2,3 mil foram posteriormente processadas pelo Estado.
A
internet também deixa claro que os valores democráticos não têm vez na China,
que bloqueia as redes sociais dos EUA e utiliza suas próprias versões, estas
submetidas à censura do PCC. É o caso do Weibo, versão chinesa do Twitter.
Lá, uma postagem do jornal estatal People’s Daily sobre o ataque do
Ministério das Relações Exteriores à democracia norte-americana recebeu
inicialmente cerca de 2,7 mil comentários. Depois de a censura começar a agir,
restaram pouco mais de uma dúzia.
Para ler mais acesse, www: professortacianomedrado.com
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