Da Redação
As
plantações de alimentos básicos podem diminuir em pelo menos 80% até 2050 em
oito países
africanos. Os dados constam do relatório divulgado nesta segunda-feira (1)
pelo Fida (Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola), da ONU
(Organização das Nações Unidas).
O
documento explica que as reduções, causadas pelo aumento
da temperatura global, poderiam ter um impacto catastrófico, aumentando a
pobreza e limitando a disponibilidade de alimentos. Nesse sentido, a publicação
ressalta que é urgente a necessidade de financiamento para ajudar agricultores
vulneráveis na adaptação de seus cultivos.
De
acordo com o Fida, a COP26, que está sendo realizada em Glasgow, na Escócia,
não terá um impacto duradouro se os líderes mundiais continuarem a priorizar a
mitigação e negligenciar os investimentos em adaptação climática.
O
relatório comprova que, se nenhuma mudança for feita nas práticas agrícolas ou
políticas globais, o aumento de cerca de 2° C na temperatura global terá
impacto devastador na produção de alimentos
básicos e cultivos de pequenos agricultores em diversos países da
África.
Reforçando
a necessidade de investimentos em ações para adaptações às mudanças climáticas,
a vice-presidente do Departamento de Estratégia e Conhecimento do Fida, Jyotsna
Puri, afirma que a cada US$ 18 gastos em mitigação, apenas US$ 1 atende às
iniciativas de adequação aos novos desafios.
O
estudo do Fida afirma que, embora nenhum país esteja imune aos impactos
das mudanças climáticas, os pequenos agricultores dos países em
desenvolvimento são os mais vulneráveis e os menos capazes de lidar com a
situação. Eles produzem um terço dos alimentos do mundo e até 80% em algumas
áreas da África e da Ásia, mas recebem menos de 2% dos fundos investidos
globalmente em financiamento climático.
De
acordo com o documento, o baixo investimento para a adaptação terá um efeito
cascata em todo o mundo. A queda na produtividade das safras pode levar à alta
dos preços dos alimentos, à diminuição da disponibilidade de alimentos e ao
aumento da fome e da pobreza. Isso poderia desencadear um aumento da migração,
conflito e instabilidade.
No
último ano, em todo o mundo uma
em cada dez pessoas vivia com fome. No continente africano, o número
sobe para uma em cada cinco pessoas.
De
acordo com o relatório, o impacto da mudança climática inevitavelmente forçará
mudanças fundamentais nas escolhas de safras locais e práticas agrícolas até
2050 nesses países. Os investimentos recomendados incluem plantar safras
alternativas diversificadas, plantar alimento variado e adaptado localmente,
utilizar diferentes técnicas de plantio, fortalecer as capacidades e
infraestrutura de armazenamento e processamento e cadeias de valor à prova de
clima e melhorar o acesso e a gestão da irrigação.
De acordo com Puri, a COP26 é “um ponto de inflexão para a humanidade” e que não se pode “desperdiçar a oportunidade de limitar o aumento da temperatura e apoiar agricultores a se tornarem resilientes aos efeitos das mudanças climáticas”.
Para ler mais acesse, www: professortacianomedrado.com
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