Por Taciano Medrado*
Olá, caríssimos leitores!
Há momentos em que a criatura se volta contra o próprio criador. E é exatamente essa a imagem que se desenha no atual cenário político e institucional brasileiro.
A mesma parcela da mídia que, no passado, aplaudiu decisões controversas e medidas de exceção adotadas pelo STF e pelo TSE, sob a justificativa de defender uma suposta salvação da democracia, começa agora a demonstrar perplexidade diante do monstro judicial que ajudou a alimentar.
Naquele momento, muitos silenciaram diante de excessos institucionais, enquanto o discurso de defesa da democracia era utilizado como justificativa para medidas que atingiram diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados.
Agora, diante da dimensão do poder acumulado por determinadas figuras do Judiciário, parte dessa mesma imprensa parece descobrir que o instrumento que ontem servia aos seus interesses pode, amanhã, voltar-se contra ela.
Eis a ironia: quem ajudou a criar o monstro agora parece assustado com a criatura que colocou no mundo.
Se o cenário de um eventual quarto mandato de Lula se concretizar, o Brasil poderá assistir à continuidade de um modelo de poder que seus críticos consideram excessivamente concentrado, com a permanência de figuras como Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Estela Aranha, entre outros nomes do atual arranjo institucional.
Diante desse quadro, a pergunta que não quer calar é: até onde poderá chegar a concentração de poder nas instituições brasileiras?
O Congresso Nacional, constitucionalmente investido da representação popular, precisa exercer suas prerrogativas e seu papel de equilíbrio entre os Poderes. Afinal, democracia não se sustenta pela vontade de um único homem, tampouco pela submissão de instituições a interesses políticos.
O Brasil não pode aceitar que a defesa da democracia se transforme em justificativa para restringir liberdades, enfraquecer a independência dos Poderes ou perpetuar projetos de poder.
O que está em jogo não é apenas o destino de um presidente ou de um partido, mas o futuro das liberdades individuais, da pluralidade política e do próprio Estado Democrático de Direito.
Que o Brasil desperte antes que seja tarde!
REAJA, BRASIL!
(*)Taciano Medrado — Professor, Engenheiro Agrônomo, Bacharel em Administração, psicopedagogo, matemático e redator-chefe do TMNews do Vale.
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