Decisão do presidente do STF ocorre às vésperas de sessão que poderá definir os rumos da investigação envolvendo Alexandre de Moraes
Da redação*
A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, de assumir a condução de procedimentos relacionados ao Banco Master e aos descontos no INSS, justamente às vésperas de uma sessão considerada sensível, levanta uma série de questionamentos.
Neste sábado (12), Fachin assumiu a relatoria da investigação que envolve conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Com isso, será Fachin quem conduzirá a sessão marcada para a próxima terça-feira (15), na qual deverá ser analisada a possibilidade de a Polícia Federal prosseguir ou não com a investigação envolvendo Moraes.
Mas não para por aí.
Fachin também determinou que os inquéritos relacionados às fraudes do Banco Master e aos descontos envolvendo beneficiários do INSS permaneçam temporariamente sob a esfera da Presidência do STF.
Embora a decisão não retire formalmente a relatoria do ministro André Mendonça, na prática, coloca esses processos sob a condução administrativa da Presidência da Corte.
A justificativa apresentada seria a possibilidade de que, após o julgamento de terça-feira, algum ministro venha a declarar-se impedido ou suspeito para atuar nos casos.
Até aqui, trata-se de uma decisão institucional. Mas a questão que se impõe é outra: por que agora?
A CANETA ENTROU EM CAMPO
André Mendonça vinha conduzindo processos de enorme repercussão relacionados ao Banco Master e ao caso dos descontos do INSS.
De repente, às vésperas de uma sessão que poderá produzir consequências importantes para a investigação envolvendo Alexandre de Moraes, o presidente do STF decide colocar esses procedimentos sob a esfera da Presidência.
Coincidência?
Pode ser.
Necessidade institucional?
Também pode ser.
Mas, diante da relevância dos casos, a sociedade brasileira tem o direito de perguntar e de cobrar explicações.
E aqui chegamos à pergunta que não quer calar:
A decisão foi previamente acordada entre Fachin e Mendonça?
Os dois ministros conversaram antes?
Mendonça concordou espontaneamente com a medida?
Ou simplesmente recebeu uma decisão já tomada pelo presidente do Supremo?
E mais: por que uma mudança dessa natureza acontece exatamente neste momento?
Não estamos afirmando que houve qualquer irregularidade, acordo de bastidores ou interferência sobre André Mendonça. Não há, até o momento, comprovação pública dessas hipóteses.
Mas também não podemos ignorar o fato de que a decisão acontece em um momento extremamente delicado, envolvendo STF, Polícia Federal, Banco Master, INSS e o próprio ministro Alexandre de Moraes.
TRANSPARÊNCIA É O MÍNIMO
O Supremo Tribunal Federal é a mais alta Corte do país. Suas decisões precisam estar acima de qualquer suspeita.
Por isso, quanto maior a repercussão de um processo, maior deve ser a transparência institucional.
Não basta decidir. É preciso explicar.
Não basta publicar uma decisão. É preciso que a sociedade compreenda por que ela foi tomada naquele momento e quais são suas consequências.
O brasileiro já está cansado de assistir a decisões tomadas nos bastidores, de interpretações jurídicas que parecem mudar conforme o personagem envolvido e de disputas internas que acabam sendo tratadas como assuntos exclusivamente corporativos.
Não são.
Quando estão em jogo bilhões de reais, recursos públicos, aposentados, instituições financeiras, investigações da Polícia Federal e ministros da Suprema Corte, o interesse é de toda a sociedade brasileira.
Por isso, a pergunta permanece:
CANETADA PRÓ-MORAES?
Não cabe ao jornal responder antecipadamente.
Cabe ao STF explicar.
Cabe aos ministros esclarecer.
E cabe à imprensa, e principalmente à sociedade, perguntar, fiscalizar e cobrar transparência.
Porque, em uma democracia, nenhuma autoridade está acima do escrutínio público.
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