Decano Gilmar Mendes sugere adiar sessão que poderá analisar conduta de Moraes
Da redação*
Olá Caríssimos
Mais uma vez, a palavra que ronda o Supremo Tribunal Federal é: adiamento.
O ministro Gilmar Mendes, decano do STF, encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, pedido para que seja adiada a sessão prevista para a próxima terça-feira (15), na qual deverá ser analisada a possibilidade de investigação sobre a conduta do ministro Alexandre de Moraes em episódio envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
E aqui começa a nossa inquietação.
Por que adiar?
Gilmar Mendes também quer que o caso envolvendo o ministro André Mendonça, alvo de acusações feitas por Moraes, seja analisado conjuntamente.
Coincidência? Estratégia processual? Prudência institucional?
É legítimo perguntar.
Não estamos afirmando que exista qualquer irregularidade no pedido do decano. Tampouco cabe transformar suspeitas em condenações. Mas quando o assunto envolve ministros da mais alta Corte do país, transparência não é favor: é obrigação institucional.
O brasileiro quer saber
O cidadão comum já olha para Brasília com desconfiança. A sucessão de decisões, embates, recursos, suspensões e disputas entre autoridades alimenta a percepção de que existe uma espécie de “Supremo dentro do Supremo”, onde as regras parecem mudar conforme o personagem envolvido.
E é justamente por isso que o adiamento de uma sessão tão sensível precisa ser explicado com clareza.
Se é necessário mais tempo para analisar os autos, que se diga.
Se existe uma questão regimental, que se explique.
Se os processos precisam ser julgados conjuntamente, que sejam apresentados os fundamentos.
O que não pode prevalecer é a dúvida.
Quem teme o julgamento?
A pergunta deste editorial é provocativa, mas necessária:
O QUE TEMES, GILMAR MENDES?
Teme-se um julgamento precipitado?
Teme-se uma decisão sem todos os elementos?
Teme-se que processos relacionados sejam analisados separadamente?
Ou simplesmente se busca garantir que todos os envolvidos tenham o mesmo tratamento institucional?
Se for isso, que seja dito claramente.
Porque o silêncio das instituições quase sempre é preenchido pela especulação da sociedade.
O STF precisa olhar para fora de suas paredes
O Supremo Tribunal Federal não pode perder de vista que suas decisões não são acompanhadas apenas por advogados, ministros e operadores do Direito.
São acompanhadas por milhões de brasileiros.
E esses brasileiros querem saber se a Suprema Corte está funcionando sob os princípios da imparcialidade, transparência, equilíbrio e segurança jurídica.
Não basta ser independente.
É preciso parecer independente.
Não basta ser imparcial.
É preciso demonstrar imparcialidade.
Não basta cumprir o rito.
É preciso explicar ao cidadão por que o rito está sendo alterado ou postergado.
O STF tem uma responsabilidade que vai muito além dos autos de um processo: preservar a confiança da sociedade na Justiça.
Por isso, o eventual adiamento da sessão marcada para terça-feira não deveria ser tratado como um simples detalhe de agenda.
Quando a pauta envolve dois ministros da própria Corte e questões que podem atingir a credibilidade institucional do Supremo, cada movimento precisa ser transparente.
A pergunta fica
Gilmar Mendes tem todo o direito de apresentar seu pedido.
Fachin tem a responsabilidade de analisá-lo.
E a sociedade tem o direito de perguntar:
Porque, em uma democracia, questionar o poder não é atacar a instituição.
É exercer cidadania.
E enquanto não houver uma explicação convincente, a pergunta continuará ecoando:
POR QUE PROCRASTINAR?
O QUE TEMES, GILMAR MENDES?
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