Foto criada pela equipe do TMNews do Vale com auxílio da ferramenta de geração de imagens da I.A
Há momentos na vida pública em que a política, o Direito e a fé acabam se encontrando em uma mesma cena. E, para muitos que acompanham os acontecimentos do Brasil, uma passagem bíblica ganha um significado especial diante dos embates que marcam os corredores do poder.
“Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas tu não serás atingido.” A frase está no Salmo 91:7, um dos textos mais conhecidos da Bíblia e tradicionalmente associado à proteção, à confiança e à perseverança diante das adversidades.
No cenário atual do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça tornou-se uma das vozes que, em determinados momentos, apresenta posições divergentes e votos que provocam intensos debates jurídicos e políticos.
Não cabe ao jornal transformar uma passagem religiosa em sentença sobre qualquer pessoa. Mas cabe ao editorialista observar quando determinados acontecimentos fazem o cidadão lembrar de princípios que ultrapassam a política e alcançam a dimensão da fé.
O Salmo 91;7 não promete uma vida sem conflitos. Pelo contrário. Sua mensagem central é justamente a confiança diante do perigo, da pressão e da adversidade.
E essa reflexão pode ser aplicada de maneira mais ampla ao Brasil de hoje.
Em uma democracia, ninguém deveria precisar temer por defender uma posição jurídica, política ou institucional. Ministros podem divergir. Advogados podem contestar. Parlamentares podem criticar. Jornalistas podem opinar. E cidadãos podem discordar. Essa é a essência de uma sociedade livre.
O problema começa quando a divergência passa a ser tratada como ameaça, quando a crítica é confundida com ataque e quando o debate institucional perde espaço para a intimidação.
É nesse ambiente que a mensagem do Salmo 91 ganha força simbólica: permanecer firme quando as circunstâncias recomendam o silêncio exige convicção.
André Mendonça chegou ao STF indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro e carrega, desde sua chegada à Corte, a expectativa de setores da sociedade que defendem uma atuação mais conservadora e uma interpretação jurídica marcada pela defesa das liberdades individuais e dos limites constitucionais.
Mas ministro do Supremo não deve ser ministro de grupo político, de governo ou de ideologia. Deve ser ministro da Constituição.
Essa é a cobrança que precisa valer para todos os integrantes da Corte.
O Brasil não precisa de heróis togados nem de salvadores políticos. Precisa de instituições fortes, independentes e submetidas à Constituição.
E talvez seja justamente essa a grande lição escondida na passagem bíblica: a força não está necessariamente em vencer todos os adversários, mas em permanecer de pé quando muitos ao redor já sucumbiram às pressões do momento.
“Mil cairão ao teu lado...”
Para quem tem fé, é uma promessa de proteção.
Para quem observa a política, pode ser uma metáfora sobre resistência.
E para quem acredita na democracia, fica uma mensagem ainda maior: nenhuma instituição é maior que a Constituição, nenhum poder é absoluto e nenhum cidadão deveria ser obrigado a abandonar suas convicções por medo.
(*) redator chefe do TMNews do Vale — informação que aproxima com opinião e compromisso com a verdade.
Não
deixe de curtir nossa página www.profesortacianomedrado.com e no Facebook e também Instagram para
acompanhar mais notícias do TMNews do Vale (Blog do professor TM)
Envie
informações e sugestões para o TMNews do Vale pelo e-mail: tmnewsdovale@gmail.com



Postar um comentário