Em ato de desespero, diante de iminente derrota nas urnas, Lula apela e diz que quer ser reeleito presidente para manter Bolsonaro preso
Por Taciano Medrado*
A campanha presidencial de 2026 começa a revelar, cada vez mais, aquilo que talvez seja uma das suas características mais preocupantes: a transformação da prisão de um adversário político em argumento eleitoral.
Durante comício realizado neste sábado (19), em Florianópolis (SC), o senil Lula do (PT) declarou que pretende vencer a eleição para “manter Bolsonaro na cadeia”. A fala foi dirigida aos seus apoiadores em pleno palanque eleitoral.
Não é uma frase qualquer. É uma declaração que merece ser analisada com atenção por todos os brasileiros.
Afinal, um presidente da República deveria pedir o voto do eleitor apresentando propostas para melhorar o país ou transformar a permanência de um adversário na prisão em uma de suas bandeiras eleitorais?
É legítimo que Lula faça críticas políticas a Jair Bolsonaro. É igualmente legítimo que seus adversários critiquem o atual presidente. A democracia pressupõe justamente o confronto de ideias e projetos.
Mas prisão não deveria ser moeda eleitoral.
A eleição não pode virar tribunal
Lula também provocou Flávio Bolsonaro (PL), afirmando que o adversário pretende vencer a eleição para “tirar o pai da cadeia”. No mesmo discurso, fez acusações relacionadas ao caso do INSS e ao Banco Master.
São afirmações politicamente graves que precisam ser tratadas como alegações de campanha, e não como condenações antecipadas. Cabe às autoridades competentes investigar, reunir provas e, dentro do devido processo legal, determinar responsabilidades.
O eleitor não pode ser transformado em juiz.
E muito menos a eleição presidencial pode ser convertida em uma disputa entre “quem vai prender” e “quem vai soltar”.
O Brasil precisa discutir muito mais do que Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.
Precisa discutir segurança pública, saúde, educação, inflação, emprego, carga tributária, infraestrutura, saneamento, responsabilidade fiscal, corrupção e o futuro econômico do país.
Vingança não pode ser projeto de governo
O episódio também levanta uma questão política relevante: qual deve ser o limite entre a disputa democrática e a utilização das instituições e dos processos judiciais como instrumentos de confronto político?
Um governante não pode tratar a prisão de um adversário como se fosse uma conquista pessoal.
Da mesma forma, nenhum candidato deveria apresentar a libertação de um aliado ou familiar como simples consequência de uma vitória eleitoral.
Quem prende ou solta é a Justiça, dentro da Constituição e das leis. Quem escolhe o presidente é o eleitor.
Misturar essas duas coisas representa um risco para a própria compreensão do Estado Democrático de Direito.
O Brasil precisa olhar para frente
Jair Bolsonaro é um personagem central da política brasileira, mesmo estando fora da disputa eleitoral. Lula também é. A polarização entre os dois grupos continuará fazendo parte da campanha.
Mas o Brasil não pode ficar eternamente prisioneiro dessa polarização.
O eleitor precisa cobrar dos candidatos respostas para os problemas reais do país.
Quanto vai custar a comida?
Como reduzir a violência?
Como melhorar a saúde pública?
Como recuperar a qualidade da educação?
Como gerar empregos?
Como equilibrar as contas públicas?
Como combater a corrupção?
Como melhorar a vida do cidadão que trabalha, paga impostos e enfrenta diariamente as dificuldades de um país que ainda está muito distante de seu potencial?
Essas deveriam ser algumas das perguntas colocadas no centro da eleição.
Transformar “manter Bolsonaro na cadeia” em bandeira eleitoral pode render aplausos em um palanque, mas não responde a nenhuma dessas questões.
E é justamente por isso que o eleitor precisa estar atento.
A palavra final será das urnas
O discurso de Lula deixa evidente que Bolsonaro continuará sendo utilizado como personagem central da campanha petista. Flávio Bolsonaro, por sua vez, também coloca a situação do pai no centro de sua narrativa eleitoral.
Cabe ao eleitor avaliar propostas, discursos, histórico e compromissos de cada candidato.
Não cabe ao eleitor decidir quem deve ser preso. Não cabe ao presidente decidir quem deve permanecer preso.
Cabe à Justiça, observando a Constituição e o devido processo legal, decidir questões judiciais.
E cabe ao povo brasileiro, por meio do voto, decidir quem receberá a responsabilidade de governar o país.
Porque, no final das contas, a eleição não deveria ser uma disputa para saber quem terá o poder de prender o adversário. Deveria ser uma disputa para saber quem tem um projeto capaz de fazer o Brasil avançar.
(*) Taciano Medrado é professor, agrônomo, jornalista e redator-chefe do TMNews do Vale - a informação que aproxima, sem meias verdades
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