CASO MASTER: Vorcaro relatou pagamento de R$ 3 milhões por mês a grupo de Jaques Wagner


Afirmação está em proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro e que foi rejeitada pela PF e PGR

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Jaques Wagner (PT-BA) • Arte CNN: Foto 1 - Reprodução | Foto 2: Carlos Moura/Agência Senado


Da redação*

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, teria relatado, em uma proposta de delação premiada apresentada às autoridades, a existência de pagamentos mensais de R$ 3 milhões a um grupo que, segundo ele, estaria ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA).

A informação foi divulgada pelo UOL e confirmada pela CNN Brasil. Segundo o relato atribuído a Vorcaro, os pagamentos estariam relacionados à operação do Credcesta, cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos da Bahia, e à empresa PKL One.

A proposta de colaboração, entretanto, foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. Portanto, as informações apresentadas pelo ex-banqueiro integram o conteúdo de uma tentativa de acordo de delação e não representam, por si só, fatos comprovados judicialmente.
Como seriam os pagamentos

Segundo Vorcaro, os R$ 3 milhões mensais seriam distribuídos da seguinte forma:

R$ 2 milhões por meio de um contrato entre o Banco Master e a PKL One, empresa ligada à exploração do Credcesta;

R$ 1 milhão em espécie, que, segundo o relato, seria destinado a aliados do senador;

distribuição de dividendos e lucros, além de contratos que Vorcaro classificou como fictícios envolvendo a PKL One;

contratos supostamente firmados com pessoas indicadas por Wagner, incluindo, segundo o relato, um negócio envolvendo a filha do senador e uma empresa offshore.

Vorcaro afirmou ainda que não teria presenciado pessoalmente os supostos acertos financeiros. Segundo seu depoimento, as informações sobre os repasses teriam sido transmitidas a ele por seu ex-sócio Augusto Lima.
Suposta participação na operação do Credcesta

Ainda de acordo com o conteúdo atribuído à proposta de delação, Vorcaro teria afirmado que Jaques Wagner possuía uma participação oculta na operação envolvendo o Credcesta e a PKL One.

O ex-banqueiro teria relatado que a operação foi articulada ainda em 2018 e que o Banco Master desembolsou cerca de R$ 30 milhões para participar da estrutura societária relacionada ao negócio.

O documento citado pelo UOL atribui a Augusto Lima a informação de que teria sido necessário, segundo o relato, "corromper os políticos baianos" para viabilizar a operação do Credcesta e, em razão disso, conceder participação societária na PKL One a políticos.

A empresa PKL One tornou-se peça central na operação do cartão consignado. Reportagens anteriores apontaram que a empresa detinha os direitos de exploração do Credcesta e que Augusto Lima mantinha relação empresarial com o negócio. A Polícia Federal também investiga as conexões entre Lima, Wagner e os negócios relacionados ao Banco Master.

Quem seria o operador

Na narrativa apresentada por Vorcaro, o empresário Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga, teria atuado como operador de Jaques Wagner na estrutura.

Segundo o relato, Sodré chegou a deter 22,45% de um fundo que possuía participação indireta na PKL One até dezembro de 2018.

Investigações da Polícia Federal já haviam apontado Guiga como uma pessoa que teria intermediado contatos entre Daniel Vorcaro e o entorno político de Jaques Wagner.
Relação com o governo da Bahia

A relação entre o grupo empresarial e o governo baiano remonta a 2018, quando Jaques Wagner ocupava o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, durante o governo de Rui Costa.

Naquele período, a PKL One obteve um contrato de exclusividade para exploração do Credcesta. Posteriormente, os direitos de exploração do cartão foram cedidos ao Banco Master. Reportagens apontam que um decreto assinado por Wagner, em abril de 2018, ampliou a utilização do cartão e permitiu a consignação de parte da remuneração de servidores.

A relação entre Wagner e Augusto Lima também já havia sido identificada nas investigações da Operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades envolvendo negócios do Banco Master.

Defesa

A CNN Brasil informou que procurou as defesas de Jaques Wagner, Daniel Vorcaro e Augusto Lima, mas não havia obtido resposta até a publicação das informações. O espaço permanece aberto para manifestação dos citados.

Jaques Wagner nega ter atuado para favorecer o Banco Master. Em manifestações anteriores, o senador também afirmou que mantém disposição para prestar esclarecimentos às autoridades. Reportagens sobre a investigação registram que Wagner contesta as acusações e afirma que os fatos serão esclarecidos no decorrer da apuração.

Até o momento, as informações atribuídas a Vorcaro devem ser tratadas como alegações constantes de uma proposta de delação rejeitada, enquanto as conexões empresariais e políticas mencionadas permanecem sob investigação.

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