ALCOLUMBRE, GONET E ANDREI — TRÊS NÁUFRAGOS AGARRADINHOS EM UM BARCO A PIQUE CHAMADO MORAES


Foto criada pela equipe do TMNews do Vale com auxílio da ferramenta de geração de imagens da I.A


Da redação*

Há cenas que dispensam fotografia. Basta observar os acontecimentos para imaginar o quadro.

De um lado, um barco fazendo água. Do outro, três passageiros agarrados às bordas, tentando desesperadamente não cair no mar. O detalhe é que o barco, nesta metáfora, tem nome e sobrenome: Moraes.

E os passageiros? Alcolumbre, Gonet e Andrei.

Não estamos afirmando que qualquer um deles tenha cometido crime. Isso cabe às investigações e à Justiça. Estamos falando de credibilidade institucional, independência e, sobretudo, da percepção que a sociedade brasileira tem diante de uma sucessão de fatos cada vez mais difíceis de explicar.

O Brasil assiste a uma situação que, se não fosse preocupante, poderia até ser considerada tragicômica.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, instituição constitucionalmente responsável por processar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo, encontra-se diante de uma avalanche de cobranças para que exerça sua prerrogativa. Mas opta, supostamente,  pelo protecionismo, ou melhor,  dizendo banca o advogado do diabo em defesa de Moraes e do Procurador da PGR, Gonet. 

Na noite dessa quinta-feira(3) o Presidente do Senado Davi Alcolumbre, quebrando o rito do cargo,   se reuniu ás pressas e na surdina na casa do ministro Alexandre de Moraes(STF) que se encontra sob investigação por sua relação com o ex-banqueiro Vorcaro. Sabe-se lá o teor da conversa do encontro. Visita de cortesia? Duvido muito.

Na outra margem está Paulo Gonet, procurador-geral da República, cuja posição institucional exige independência e serenidade diante de conflitos que envolvem autoridades do mais alto escalão.

E, completando a embarcação, Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, órgão que precisa estar acima de disputas políticas e interesses pessoais para preservar sua credibilidade perante a sociedade.

O problema não é simplesmente quem está certo ou errado.

O problema é quando a sociedade começa a enxergar as instituições como partes de um mesmo jogo de poder.

E aí a pergunta torna-se inevitável:

Quem fiscaliza os fiscais?

Quem investiga os investigadores?

Quem controla aqueles que possuem poder para controlar os outros?

Porque democracia não pode funcionar na lógica do “confie em mim porque eu sou a instituição”.

Instituições democráticas precisam ser controladas, fiscalizadas e transparentes justamente porque ninguém está acima da Constituição.

O episódio envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ministro André Mendonça elevou ainda mais a temperatura. Acusações, reações, representações, pedidos de investigação e disputas institucionais passaram a ocupar o centro do debate nacional.

E quando ministros de uma mesma Corte passam a protagonizar acusações tão graves entre si, o cidadão comum inevitavelmente pergunta:

Que Supremo é esse?

Não se trata de defender A ou B.

Não se trata de transformar André Mendonça em herói ou Alexandre de Moraes em vilão.

Trata-se de defender algo muito maior:

a credibilidade da Justiça brasileira.

Porque, quando a confiança desaparece, nenhuma toga consegue recuperá-la apenas com discursos.

E aqui voltamos aos nossos três náufragos.

Alcolumbre, com o Senado pressionado a tomar decisões.

Gonet, no comando da Procuradoria-Geral da República e sob os holofotes de uma crise que envolve autoridades do topo da República.

Andrei, à frente da Polícia Federal, instituição que precisa convencer o país de que suas investigações são conduzidas com absoluta independência.

Três homens em posições poderosas.

Três instituições fundamentais.

E uma pergunta que não quer calar:

Estão todos no mesmo barco ou cada um deveria estar em uma embarcação própria, independente e constitucionalmente soberana?

Porque, se o barco chamado Moraes estiver realmente fazendo água, agarrar-se uns aos outros não vai impedir o naufrágio.

Ao contrário.

Pode apenas fazer com que todos afundem juntos.

O Brasil não precisa de salvadores de ocasião.

Precisa de instituições fortes.

Precisa de homens públicos que não tenham medo de investigar, fiscalizar, contrariar e, quando necessário, dizer não, mesmo diante do poder.

O cidadão brasileiro já está cansado de assistir ao espetáculo em que os poderosos parecem sempre encontrar um bote salva-vidas enquanto o povo fica olhando o navio afundar.

O Brasil não pode ser refém de personalidades.

Nenhum ministro, senador, procurador ou delegado está acima da lei.

E se há dúvidas, que sejam esclarecidas.

Se há denúncias, que sejam investigadas.

Se há crimes, que sejam punidos.

Se não há crimes, que isso também seja demonstrado de maneira transparente.

É assim que uma democracia funciona.

O que não pode continuar é a sensação de que existe um pequeno grupo de autoridades navegando em águas protegidas enquanto milhões de brasileiros permanecem no convés, sem saber quem está segurando o leme.

No final, fica a imagem:

três náufragos agarradinhos em um barco a pique.

E o povo brasileiro?

Assistindo da margem, esperando para descobrir quem vai pular primeiro.

(*) TMNews do Vale  — Ponto de vista sem meias verdades

Opinião editorial. As referências a autoridades e instituições neste texto dizem respeito ao debate público e a fatos e acusações divulgados publicamente, não constituindo afirmação de culpa ou responsabilidade criminal.

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