ALCKMIN, LULA e a memória que a política não consegue apagar. Veja vídeo!


Da redação*

Olá carissimo leitores,

Há vídeos que o tempo não consegue apagar. Eles permanecem como testemunhas de uma época, de um pensamento e, sobretudo, das posições políticas daqueles que um dia fizeram determinadas afirmações diante das câmeras.

É justamente isso que acontece com um vídeo de 2016 que voltou a circular intensamente nas redes sociais neste ano eleitoral. Nas imagens, Geraldo Alckmin aparece ao lado de Alexandre de Moraes, então secretário da Segurança Pública de São Paulo, fazendo críticas contundentes a Luiz Inácio Lula da Silva e ao Partido dos Trabalhadores.

Naquela ocasião, Alckmin ainda era um dos principais nomes do campo político que fazia oposição ao PT. Hoje, porém, a realidade é completamente diferente: ele é vice-presidente da República e integra, ao lado de Lula, a chapa governista que busca permanecer no poder.

E é justamente essa transformação que merece ser colocada sob a lupa do eleitor.

Na declaração resgatada pelo vídeo, Alckmin associa Lula ao próprio PT e apresenta uma visão extremamente crítica sobre o partido, relacionando-o a episódios de corrupção e questionando seu compromisso com princípios éticos.

Não estamos aqui afirmando que alguém não possa mudar de opinião. A política, como a vida, é feita de mudanças. Adversários podem se tornar aliados, partidos podem rever posições e pessoas podem reconhecer que estavam equivocadas.

Mas existe uma diferença entre mudar de opinião e simplesmente mudar de lado sem prestar contas ao eleitor.

E essa é a pergunta que o vídeo recoloca sobre a mesa: o que mudou?

Mudou Geraldo Alckmin? Mudou Lula? Mudou o PT? Mudaram os princípios? Ou mudou apenas a circunstância política?

Porque aquilo que ontem era apresentado como inaceitável não pode simplesmente ser apagado hoje por força de uma fotografia ao lado de antigos adversários.

A política brasileira tornou-se especialista em produzir alianças que, em outros tempos, pareceriam inimagináveis. O mesmo Alckmin que disputou a Presidência contra Lula em 2006 acabou, anos depois, compondo sua chapa como candidato a vice-presidente.

Do ponto de vista eleitoral, a aliança foi perfeitamente possível e legal. Do ponto de vista político, porém, ela produz uma contradição que merece ser discutida.

Se Lula e o PT eram tudo aquilo que Alckmin denunciava em 2016, o que aconteceu para que, poucos anos depois, o mesmo político aceitasse ser o número dois de Lula?

E se Alckmin estava errado naquela época, seria igualmente legítimo perguntar: por que estava errado? Quais fatos o fizeram mudar de entendimento? Que acontecimentos modificaram sua avaliação sobre Lula e sobre o PT?

O eleitor brasileiro tem o direito de saber.

Não se trata de transformar um vídeo antigo em prova absoluta contra ninguém. Trata-se de reconhecer que declarações públicas fazem parte da história política de seus autores. E, em uma democracia, ninguém deveria exigir do cidadão que tenha memória curta.

O episódio também revela algo maior sobre a política brasileira: a extraordinária elasticidade dos discursos quando o poder entra em cena.

Ontem, oposição. Hoje, governo.

Ontem, críticas severas. Hoje, aliança.

Ontem, acusações políticas. Hoje, defesa do mesmo projeto.

E amanhã?

É exatamente por isso que o eleitor precisa olhar além dos discursos de campanha. Precisa comparar aquilo que os políticos dizem hoje com aquilo que disseram ontem. Precisa observar alianças, conveniências, mudanças de posição e, principalmente, as justificativas apresentadas para essas mudanças.

A memória política é uma espécie de arquivo público da democracia.

E as redes sociais, com todos os seus problemas, acabaram criando uma situação desconfortável para os políticos: o passado pode voltar a qualquer momento.

Uma frase dita em 2016 pode reaparecer em 2026. Uma promessa feita ontem pode ser confrontada com uma decisão tomada hoje. Uma crítica feita a um adversário pode retornar como cobrança quando os antigos adversários passam a dividir o mesmo palanque.

É o preço da vida pública.

Por isso, o vídeo de Alckmin não deveria ser utilizado apenas como munição eleitoral. Ele deveria servir para uma reflexão muito mais profunda sobre a política brasileira.

Até onde vai a convicção e onde começa a conveniência?

Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes que o eleitor deverá responder nas urnas.

Porque alianças podem mudar.

Partidos podem mudar.

Políticos podem mudar.

Mas uma coisa não deveria mudar: o direito do cidadão de cobrar coerência daqueles que pedem novamente o seu voto.

O eleitor não é obrigado a esquecer o que ouviu.

E muito menos a acreditar que aquilo que foi dito ontem deixou de existir simplesmente porque, hoje, os antigos adversários estão juntos no mesmo palanque.

No Brasil eleitoral de 2026, a pergunta não é apenas quem está de cada lado.

É também:

Quem disse o quê no passado, e por que hoje pensa ou age de maneira diferente?

A resposta pertence aos políticos.

O julgamento, ao eleitor.

(*) TMNews do Vale — Informação que aproxima com  opinião e compromisso com a memória dos fatos e sem meias verdades



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