Mais uma vez, Lula do PT, candidato a reeleição conseguiu transformar um discurso que pretendia abordar desigualdade social e educação em uma declaração que provocou indignação.
“Quando eu passo na rua e eu vejo aquelas pessoas que trabalham colhendo lixo, é uma profissão muito pobre, porque não é uma profissão que dá orgulho. Eu sou lixeiro. O cara tem orgulho de falar, eu sou engenheiro, eu sou médico. Mas lixeiro é uma coisa pobre de quem não pode estudar.”
Durante o ato “Mulheres com Lula”, realizado neste sábado (29), em Belo Horizonte (MG), Lula afirmou, ao se referir aos profissionais responsáveis pela coleta de lixo, que se trata de uma profissão “muito pobre”, que “não dá orgulho”, associando ainda esse tipo de trabalho à condição de quem “não pode estudar”.
A pergunta que fica é simples: onde está a valorização do trabalhador que o próprio discurso político de esquerda costuma colocar no centro de suas narrativas?
O Trabalho NÃO ENVERGONHA. O preconceito SIM.
Ser gari ou coletor de lixo não é motivo de vergonha. Muito pelo contrário.
É uma atividade essencial para a saúde pública, para a higiene das cidades e para a preservação ambiental. Todos os dias, milhares de trabalhadores saem de suas casas para fazer um serviço que muitos só percebem quando deixa de ser realizado.
Imagine uma cidade sem coleta de lixo durante uma semana.
O problema não seria apenas estético. Seria também sanitário, ambiental e social.
Por isso, afirmar que essa profissão “não dá orgulho” é, no mínimo, uma maneira extremamente infeliz de abordar a questão.
O orgulho não deveria estar relacionado ao título estampado no cartão de visita, ao diploma pendurado na parede ou ao salário recebido no final do mês.
Orgulho é trabalhar honestamente.
A contradição
Existe ainda uma contradição evidente na fala presidencial.
Lula pretendia discutir desigualdade, falta de oportunidades e acesso à educação. Entretanto, ao tentar explicar a exclusão social, acabou utilizando uma expressão que pode ser interpretada como desqualificação justamente daqueles trabalhadores que estão na base da pirâmide social.
Educação deve servir para abrir portas, não para estabelecer uma hierarquia moral entre profissões.
Um médico merece respeito.
Um engenheiro merece respeito.
Um professor merece respeito.
Um agricultor merece respeito.
Um pedreiro merece respeito.
E um gari também merece respeito.
Nenhuma profissão honesta torna uma pessoa inferior a outra.
O DIPLOMA NÃO DEFINE O VALOR DO HOMEM
É preciso combater a desigualdade educacional e ampliar o acesso ao ensino de qualidade. Isso é indiscutível.
Mas uma coisa é defender oportunidades para que o cidadão possa escolher seu caminho profissional.
Outra, completamente diferente, é sugerir que quem não teve acesso à universidade ou exerce uma atividade braçal ocupa uma posição inferior na sociedade.
O trabalhador que recolhe o lixo das nossas ruas pode não ter diploma universitário. Mas tem algo que deveria ser valorizado por qualquer governo: trabalho, responsabilidade e dignidade.
LULA PRECISA OLHAR PARA A PRÓPRIA FALA
O presidente da República ocupa uma posição que exige responsabilidade redobrada com as palavras.
Não se trata de impedir críticas ou opiniões. Trata-se de reconhecer que determinadas expressões, especialmente quando partem da principal autoridade política do país, possuem enorme repercussão.
E foi exatamente o que aconteceu.
A fala viralizou, provocou indignação e abriu espaço para críticas de trabalhadores e internautas.
O problema, portanto, não está apenas na interpretação dos adversários políticos.
Está na própria escolha das palavras.
S.O.S. — MAIS UMA GAFE
Lula é conhecido pela capacidade de comunicação popular e pela habilidade de falar diretamente com setores de baixa renda.
Por isso mesmo, deveria ter ainda mais cuidado ao abordar profissões exercidas majoritariamente por trabalhadores humildes.
O presidente poderia ter dito que todo trabalhador merece oportunidades para estudar, crescer profissionalmente e melhorar sua renda.
Seria uma mensagem positiva.
Mas escolheu outro caminho.
Ao afirmar que ser lixeiro é “uma coisa pobre de quem não pode estudar”, acabou reforçando exatamente o preconceito social que dizia querer combater.
Análise do TMNews do Vale
O Brasil não precisa de uma sociedade em que alguém seja valorizado pelo tamanho do diploma ou pelo prestígio da profissão.
Precisa de uma sociedade em que todo trabalho honesto seja respeitado.
O gari que acorda cedo, veste o uniforme e enfrenta o sol para manter a cidade limpa não é menos cidadão.
O coletor que entra no caminhão de lixo todos os dias não é menos digno.
E o trabalhador que não teve oportunidade de frequentar uma universidade não é menos importante.
Presidente Lula: estudar é importante. Trabalhar também. Mas dignidade não se mede pelo diploma.
Essa deveria ser a lição.
(*) Professor, psicopedagogo, engenheiro agrônomo, administrador e matemático e redator chefe TMNews do Vale - informação que aproxima sem meias verdades
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