QUEREM O LULA 4? – PARTE II - R$ 1,16 TRILHÃO EM JUROS: ATÉ QUANDO O BRASIL VAI PAGAR A CONTA?


Foto criada pela equipe do TMNews do Vale com auxílio da ferramenta de geração de imagens da I.A

Da redação*

O governo brasileiro desembolsou R$ 1,16 trilhão em juros no acumulado de 12 meses até junho de 2026. O dado faz parte de um estudo encomendado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e apresentado pela auditora do Tesouro Nacional Selene Peres, durante o evento Agenda Brasil – Crescimento, Emprego e Competitividade.

Não se trata de uma cifra qualquer. R$ 1,16 trilhão é dinheiro suficiente para provocar uma pergunta incômoda: para onde está caminhando o Brasil se a arrecadação aumenta, os gastos continuam crescendo e a dívida pública não para de avançar?

O estudo da CNA traça um cenário preocupante para as contas públicas. A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que historicamente oscilava entre 60% e 70% do PIB, chegou a R$ 10,8 trilhões em junho de 2026, equivalente a 81,9% do PIB.

E o alerta é ainda mais sério: mantido o ritmo atual, a projeção apresentada pelo estudo aponta que a dívida poderá atingir 95,7% do PIB em 2030.

ARRECADAÇÃO SOBE. A CONTA TAMBÉM.

Outro ponto que merece atenção é a carga tributária.

Em 2025, a arrecadação chegou a 34,35% do PIB, sendo 21,60% referentes à esfera federal. Mesmo com o aumento da receita, os resultados primários do governo federal continuam apresentando déficits recorrentes.

Ou seja: o problema não parece ser apenas arrecadar mais. O problema é gastar melhor, controlar despesas e produzir resultados.

É exatamente nesse ponto que o debate sobre responsabilidade fiscal deixa de ser assunto exclusivo de economistas e passa a interessar diretamente ao cidadão.

Porque, quando o governo aumenta a arrecadação e, ainda assim, continua acumulando déficits e aumentando a dívida, alguém inevitavelmente paga essa conta.

E esse alguém é o contribuinte.

O PESO DAS DESPESAS OBRIGATÓRIAS

Segundo o estudo, o Brasil gastou R$ 2,3 trilhões em despesas em 2025, sem considerar os encargos especiais.

Mais de 60% desse montante foram destinados à Previdência Social (47,8%) e à Assistência Social (12,6%).

Saúde recebeu 10,4%; Educação, 8%; Trabalho, 5,2%; Defesa Nacional, 4,3%; e outras funções ficaram com 11,7%.

O problema apontado pela CNA não está apenas no tamanho das despesas, mas também na qualidade do gasto público.

Entre as fragilidades identificadas estão a falta de avaliação dos resultados das políticas públicas, a sobreposição de ações, a baixa integração entre os diferentes níveis de governo, a execução insuficiente dos investimentos e a manutenção de recursos sem uma avaliação adequada de resultados.

O BRASIL PRECISA DE MAIS IMPOSTOS OU DE MAIS EFICIÊNCIA?

Essa é uma das perguntas que deveriam estar no centro do debate eleitoral de 2026.

Aumentar impostos e arrecadar mais pode parecer, à primeira vista, uma solução simples. Mas se as despesas continuam crescendo automaticamente e o resultado fiscal permanece deficitário, aumentar a arrecadação pode apenas adiar um problema maior.

A própria CNA defende regras fiscais mais simples, redução de exceções, mecanismos mais eficientes de correção de desvios, maior transparência e, principalmente, sustentabilidade da dívida pública no médio e longo prazo.

JUROS, DÍVIDA E CRESCIMENTO: O CICLO PERIGOSO

A questão fiscal não fica restrita às planilhas do governo.

Uma dívida elevada pressiona as contas públicas. Juros altos aumentam o custo dessa dívida. O aumento dos gastos financeiros reduz o espaço para investimentos. Menos investimentos podem comprometer o crescimento econômico.

Forma-se, assim, um ciclo que precisa ser rompido.

Segundo Selene Peres, a responsabilidade fiscal é necessária para criar condições para uma redução sustentável dos juros, enquanto a melhoria da qualidade do gasto e a aplicação de recursos em investimentos estruturantes são fundamentais para estimular o investimento privado e o crescimento econômico.

E A PERGUNTA CONTINUA: QUEREM O LULA 4?

É aqui que entra a segunda parte desta série.

A discussão sobre um eventual quarto mandato de Lula não pode ser reduzida a torcida política, polarização ou ataques entre grupos.

O eleitor precisa olhar para os números.

R$ 1,16 trilhão em juros.
R$ 10,8 trilhões de dívida pública.
81,9% do PIB comprometidos pela dívida.
Projeção de 95,7% do PIB em 2030.
Carga tributária de 34,35% do PIB.

Esses números não são de esquerda nem de direita.

São números.

E números cobram respostas.

A grande questão para as eleições de 2026 será saber qual projeto de país terá condições de controlar as despesas, reduzir o endividamento, melhorar a qualidade do gasto público e criar um ambiente capaz de estimular investimentos e crescimento.

Defender a continuidade de um governo ou rejeitá-la é uma escolha legítima do eleitor.

Mas essa escolha deveria ser feita com os olhos abertos e a calculadora na mão.

Porque promessa eleitoral pode durar quatro anos.

A dívida pública, não.

TMNEWS DO VALE – OPINIÃO

O Brasil não pode continuar tratando o crescimento da dívida como se fosse um detalhe contábil.

Um país que arrecada mais, gasta mais, paga mais juros e continua aumentando sua dívida precisa parar e perguntar: onde está o limite?

Essa pergunta precisa ser feita agora, antes das urnas.

QUEREM O LULA 4?

Então, antes de responder sim ou não, olhe para a conta.

A conta sempre chega.

TMNews do Vale porque usa os dados como base e deixa a crítica explicitamente identificada como opinião editorial, sem atribuir à CNA conclusões políticas que ela não apresentou.

(*) TMNews do Vale com informações do Brasil 61 | CNA


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