JUAZEIRO-BAHIA : Agentes comunitários de saúde denunciam descontos nos seus contracheques. Veja vídeo!



Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) de Juazeiro denunciam o que classificam como abuso institucional após serem surpreendidos com descontos em seus salários sob a justificativa de faltas relacionadas à sincronização dos tablets utilizados no trabalho.

Segundo a categoria, a Secretaria Municipal de Saúde passou a considerar a ausência de sincronização diária dos equipamentos como falta ao trabalho. No entanto, os profissionais afirmam que nunca receberam orientação oficial sobre esse procedimento e destacam que a própria gestão não disponibiliza acesso à internet para que a sincronização seja realizada durante a jornada.

Na prática, muitos trabalhadores utilizam internet particular para cumprir essa exigência. "Neste mês, por exemplo, não poderei pagar minha internet porque terei que pedir dinheiro emprestado para arcar com as despesas essenciais. E, sem internet, serei penalizada?", questiona uma agente.

Os profissionais afirmam ainda que desconhecem a publicação, no Diário Oficial do Município, de ato normativo que estabeleça essa forma de controle de frequência ou autorize descontos salariais pela falta de sincronização dos tablets.

Para a categoria, a busca incessante por indicadores não pode substituir a essência do trabalho do Agente Comunitário de Saúde. O ACS não é um robô. É o profissional que escuta, acolhe e cria vínculos. É quem dedica tempo para ouvir os relatos de dona Maria, de 90 anos; mobiliza a comunidade para conseguir um par de sapatos para uma criança ir à escola ou uma cesta básica para uma família em situação de vulnerabilidade. Muitas vezes, torna-se o principal elo entre a população e a unidade de saúde — inclusive quando a própria unidade sequer dispõe de telefone para atender os usuários.

Os trabalhadores afirmam que transformar esse cuidado humanizado em números e punições invisibiliza o verdadeiro objetivo da Atenção Primária: cuidar das pessoas, de suas necessidades, dúvidas e histórias de vida.

A situação tem gerado indignação entre os ACS, que se sentem penalizados por uma exigência cuja estrutura necessária não é oferecida pelo próprio município.

Os Agentes Comunitários de Saúde reforçam que sua mobilização não busca privilégios. Busca respeito, valorização profissional, condições dignas de trabalho e o reconhecimento de uma categoria que, diariamente, percorre ruas, enfrenta sol e chuva para levar saúde, orientação e esperança às famílias de Juazeiro.

Texto, foto e vídeo: Ascom


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