Da redação*
O senador Jaques Wagner (PT-BA) gerou forte insatisfação entre prefeitos baianos após classificar como "pingadinho" a distribuição direta de emendas parlamentares para as prefeituras. A declaração ocorreu em agosto de 2026, durante uma reunião política fechada em um hotel de Salvador, na qual justificou sua decisão de concentrar seus recursos diretamente no Governo do Estado da Bahia.
Detalhes da Polêmica
A Declaração: Wagner defendeu que o envio fragmentado de recursos a cada um dos 417 municípios baianos gera um "exagero" e "desperdício de dinheiro público". Ele afirmou que prefere transferir suas verbas para a gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT) para a execução de projetos estratégicos.
A Reação dos Prefeitos: Gestores municipais receberam a fala de forma muito negativa, interpretando o termo "pingadinho" como um sinal de desdém pelas demandas locais e pela autonomia financeira dos municípios.
O Contraste Político
O posicionamento de Wagner gerou atrito direto com o também senador Angelo Coronel, que adota a estratégia inversa. Coronel defende publicamente e prioriza o repasse direto das emendas para os caixas das prefeituras, o que amplia sua base de apoio entre os prefeitos.
A repercussão do caso aumentou ainda mais após Jaques Wagner participar de sabatinas em emissoras locais e reafirmar suas críticas ao atual modelo de emendas parlamentares no Congresso Nacional.
A distribuição de recursos federais pelos senadores da bancada baiana reflete diretamente suas estratégias políticas, com valores expressivos que evidenciam o racha sobre como aplicar as verbas no estado.
Cada parlamentar conta atualmente com uma cota individual impositiva de aproximadamente R$ 74 milhões no Orçamento Federal de 2026. A forma como os três senadores utilizam e destinam esse volume de dinheiro divide-se assim:
1. Jaques Wagner (PT)
Destinação Principal: Concentra seus recursos diretamente no Governo do Estado da Bahia, sob a gestão de Jerônimo Rodrigues (PT).
Estratégia: Wagner rejeita o modelo pulverizado, alegando que o envio de parcelas menores para os 417 municípios baianos gera um "desperdício" ou "pingadinho". Ele foca a cota em grandes obras estruturantes, macroprojetos regionais e saúde estadual de alta complexidade.
2. Angelo Coronel (Republicanos)
Destinação Principal: Prioriza o repasse municipalista direto, destinando suas emendas diretamente aos cofres das prefeituras do interior.
Estratégia: Defensor ferrenho de que "quem conhece a necessidade do povo é o prefeito", ele envia recursos impositivos e transferências especiais (chamadas "emendas Pix") para custeio local e pequenas intervenções urbanas, o que garante a ele uma ampla base de prefeitos aliados. É considerado um dos parlamentares do Nordeste com maior taxa de emendas pagas e liquidadas.
3. Otto Alencar (PSD)
Destinação Principal: Divide o montante de forma mista, beneficiando consórcios intermunicipais e municípios controlados pelo PSD (partido com o maior número de prefeituras na Bahia).
Estratégia: Atua de forma articulada com a base aliada do governo e foca grande parte de suas emendas individuais em equipamentos de saúde e infraestrutura hídrica (como perfuração de poços artesianos e redes de abastecimento) na região do semiárido baiano.
O Peso das Emendas na Bahia
O montante destinado pelos senadores se integra a uma engrenagem bilionária. Além das cotas individuais detalhadas acima (R$ 74 milhões por senador), a bancada da Bahia no Congresso conta ainda com uma fatia impositiva de R$ 415 milhões em emendas de bancada coletiva, cujo direcionamento é negociado anualmente de forma conjunta pelos parlamentares e pelo coordenador da bancada.
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