Livre-arbítrio é a capacidade que o ser humano tem de decidir, escolher e agir por vontade própria, sem controle ou força de fora. Essa ideia define o poder de escolher entre caminhos, ideias ou atitudes de forma independente
Por Taciano Medrado*
O Brasil entra, mais uma vez, em um ciclo eleitoral que promete intensificar paixões, discursos inflamados e disputas ideológicas. Em 2026, milhões de brasileiros irão às urnas para decidir os rumos do país. Esse é um direito fundamental garantido pela Constituição. E justamente por isso, há um princípio que precisa ser preservado acima das preferências partidárias: o respeito ao livre arbítrio do eleitor.
Seja de esquerda, direita ou centro, ninguém tem o direito de constranger, intimidar ou hostilizar outra pessoa por causa de sua escolha política.
A democracia não exige unanimidade. Exige respeito.
Nos últimos anos, o debate político brasileiro tornou-se excessivamente polarizado. Famílias se dividiram, amizades foram rompidas e relações profissionais passaram a ser contaminadas por disputas eleitorais. Em muitos casos, a divergência deixou de ser tratada como parte natural da vida democrática e passou a ser encarada como motivo para ataques pessoais, cancelamentos e intolerância.
Isso empobrece o debate público.
O eleitor pode apoiar qualquer candidato, defender qualquer projeto de país e votar de acordo com sua consciência. O voto é livre, secreto e individual. Tentar impor uma escolha por meio da pressão social, da desinformação ou do discurso de ódio representa uma agressão ao próprio espírito democrático.
É legítimo convencer. Não é legítimo perseguir.
As campanhas eleitorais devem ser espaços de confronto de ideias, apresentação de propostas e avaliação de resultados. O que fortalece a democracia é o argumento, não a agressão; é o diálogo, não a humilhação; é a crítica fundamentada, não a desqualificação do outro.
Quem defende a liberdade precisa aceitá-la também quando ela produz escolhas diferentes das suas.
No Vale do São Francisco, onde convivem diferentes visões políticas, religiosas e sociais, a eleição não pode se transformar em um fator permanente de divisão. Os desafios da região, geração de empregos, desenvolvimento econômico, abastecimento de água, infraestrutura, saúde e educação, exigem representantes competentes e uma sociedade capaz de discutir soluções sem romper os laços da convivência.
O livre arbítrio não significa ausência de responsabilidade. O eleitor deve buscar informação, analisar o histórico dos candidatos, comparar propostas e fiscalizar os eleitos. Mas essa responsabilidade é individual. Cada cidadão responde por seu voto, e essa decisão merece ser respeitada.
Em uma democracia madura, perder uma eleição não transforma ninguém em inimigo da nação. Vencer uma eleição não torna ninguém dono da verdade.
O Brasil precisa reaprender uma lição simples: é possível discordar sem odiar.
Em 2026, seja de esquerda, direita ou centro. Defenda suas ideias com firmeza. Participe do debate público. Fiscalize o poder. Mas respeite o livre arbítrio de quem pensa diferente.
Porque a liberdade que desejamos para nós mesmos deve ser a mesma liberdade que garantimos aos outros.
(*) redator-chefe do TMNews do Vale, professor, psicopedagogo, engenheiro agrônomo, administrador e Matemático
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