Um grande amigo não parte pra sempre, mas sim para um até breve!
(*) João Chaves*
Meu amigo, grande companheiro ou, até em muitos momentos, conselheiro, Negão Cacá, como muitos carinhosamente o chamavam.
Existem homens de alma negra. Cacá era um nobre de alma branca.
No fatídico domingo, 2 de agosto, desse emblemático mês, meu telefone não parou de tocar. Todos queriam saber se o ocorrido era verdade. A cada telefonema correspondia um choro entrecortado. Tudo isso foi presenciado por minha esposa que, me observando, comentou: “Nunca lhe vi com tanto sentimento”. E me perguntou: “Quem era realmente Cacá?”.
Eu respondi: “Não sei”. Fiquei sabendo um pouco mais com as gentis e comoventes palavras proferidas em seu velório por representantes das instituições nas quais desenvolvia seus trabalhos sociais e espirituais: Rosa-Cruz, Maçonaria e UDV — União do Vegetal.
A amizade é, talvez, o mais nobre dos sentimentos da alma, menor apenas do que o amor entre pais e filhos e filhos e pais.
Talvez tenha sido, depois dos familiares, o primeiro a tomar conhecimento de tão triste notícia. Recebi logo pela manhã um telefonema de meu amigo Julhão que, em prantos, me confidenciou: “Nunca imaginei, em minha vida, pegar na alça do caixão de meu querido mano”.
Eu, que já passei por várias cirurgias, sei que a vida é assim mesmo: imprevisível, uma verdadeira caixinha de surpresas. Umas boas e alegres; outras, tristes e péssimas, como aquela que agora vivenciávamos.
Com ele, a convivência não foi muito intensa. Foram momentos na juventude em Juazeiro, na AUJ — Associação dos Universitários de Juazeiro, observando sua participação no grupo Exodus, grupo cultural da cidade. Aqui evoco os testemunhos de Mauricola, Coelhão, Odomaria, Suzana Claudete e tantos outros.
Lembro também de suas participações nos Festivais de Música Sanfranciscana, hoje Edésio Santos; posteriormente, na RUJ — Residência Universitária de Juazeiro, onde fomos administradores, e no Restaurante Universitário, no Corredor da Vitória.
Mais recentemente, participamos da revitalização do Encontro dos Amigos de Juazeiro, que foi fundado por outro apaixonado por Juazeiro, nosso saudoso Flávio Luís, sendo sucedido por Turiba.
O sucesso desse encontro, que passou a se chamar Encontro de Juazeirenses, tem muito a ver com Cacá. Constantemente, ele me enviava o telefone de conterrâneos retirados de sua extensa agenda de amigos e sempre me dizia, com sua aguçada perspicácia, se eu já tinha percebido a importância e a proporção que o evento estava tomando, e que a Ceasinha ia se tornar pequena para sua realização.
E completou: “Isso já não é mais um encontro, mas uma verdadeira instituição”.
Descanse em paz, meu grande amigo, como explicitou Jairton Fraga: “O céu está em festa, e nós e Juazeiro, mais pobres”.
"Quem sabe um dia amigo a gente vai se encontrar! "
Esse trecho da bela "Canção da América", composta por Milton Nascimento e Fernando Brant que fala sobre a amizade guardada no lado esquerdo do peito e a certeza de que, apesar da distância ou do tempo, os caminhos hão de se cruzar novamente.
JAMAIS LHE ESQUECEREMOS.
BONS DIAS, BOAS TARDES, BOAS NOITES E BOAS SEMANAS, VIVENDO E ACHANDO BOM.
(*) Médico e amigo fraternal de Cacá
Não
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