Da redação*
O conflito entre Irã e Estados Unidos voltou a atingir um novo patamar de tensão nesta quinta-feira (16), após Teerã declarar que o Estreito de Ormuz representa uma "linha vermelha inviolável" e prometer reagir com força caso o presidente norte-americano, Donald Trump, determine novos ataques contra a infraestrutura iraniana.
Segundo o governo iraniano, qualquer ofensiva dos Estados Unidos será respondida com ataques à infraestrutura estratégica da região do Golfo Pérsico, ampliando significativamente os riscos de uma guerra de grandes proporções no Oriente Médio.
Os Estados Unidos realizaram, na quarta-feira (15), a quinta noite consecutiva de ataques contra alvos iranianos e restabeleceram um bloqueio naval aos portos do país. De acordo com Washington, a operação busca forçar a reabertura do Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã desde o último sábado, após o colapso das negociações para manutenção de uma trégua.
Em comunicado oficial, o presidente do Parlamento iraniano e um dos principais negociadores de Teerã, Mohammad Baqer Qalibaf, classificou o momento como uma guerra de sobrevivência.
"Estamos em uma guerra essencial e existencial contra os Estados Unidos."
Estreito de Ormuz é considerado estratégico
O porta-voz do Exército iraniano, general Mohammad Akraminia, reafirmou que o controle sobre o Estreito de Ormuz permanece sob domínio absoluto do Irã. Antes da guerra, a passagem marítima era responsável pelo transporte de aproximadamente 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo.
Segundo o militar, os ataques norte-americanos à costa sul do país não alteram a capacidade iraniana de controlar o estreito.
"A República Islâmica do Irã tem capacidade para exercer controle sobre o Estreito de Ormuz a partir de qualquer ponto de seu território. Essa capacidade não depende de ilhas ou da costa."
Fontes ouvidas pela agência Reuters informaram que as operações militares dos Estados Unidos também têm como objetivo destruir estruturas militares consideradas estratégicas antes de uma eventual ofensiva de maior escala.
O comando militar iraniano respondeu afirmando que continuará resistindo.
"Sem dúvida, resistiremos até o fim e neutralizaremos as intervenções americanas na região."
Trump é alvo de advertência direta
O governo iraniano também respondeu às declarações do presidente Donald Trump, que ameaçou atacar usinas de energia e pontes do Irã caso Teerã não retome as negociações diplomáticas.
Akraminia afirmou que, se as ameaças forem executadas, as Forças Armadas iranianas atacarão toda a infraestrutura restante utilizada pelos Estados Unidos e seus aliados na região.
Segundo ele, a resposta será "mais severa, mais ampla e mais destrutiva" do que as operações realizadas até agora.
Bases americanas também entram na mira
Teerã informou ainda ter realizado ataques contra bases militares norte-americanas localizadas no Kuweit e na Jordânia e enviou um duro recado aos países vizinhos.
Em nota oficial, o Exército iraniano afirmou que permitir o uso do território nacional para operações militares dos Estados Unidos contra o Irã constitui um ato inaceitável e que não ficará sem resposta.
Risco de expansão do conflito preocupa o mundo
A escalada militar aumenta os temores de uma guerra regional envolvendo diversos países do Oriente Médio.
Analistas internacionais avaliam que o Irã poderá recorrer aos rebeldes houthis, no Iêmen, para bloquear o estreito de Bab el-Mandeb, acesso estratégico ao Mar Vermelho. Caso isso ocorra, outra importante rota mundial de transporte de petróleo e mercadorias poderá ser comprometida, elevando ainda mais a pressão sobre a economia global.
Enquanto isso, o conflito continua produzindo uma grave crise humanitária. Milhares de pessoas já morreram e milhões foram deslocadas, principalmente no Irã e no Líbano, onde os confrontos entre Israel e o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã, voltaram a se intensificar.
A comunidade internacional acompanha com preocupação os desdobramentos da crise, diante do risco de que o confronto evolua para uma guerra de proporções ainda maiores, com impactos diretos sobre o mercado mundial de energia e a estabilidade geopolítica do Oriente Médio.
(*) TMNews do Vale com informações da Reuters
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