Olá, caríssimos leitores.
Inicio este artigo fazendo uma distinção que considero essencial para a análise dos acontecimentos recentes da Copa do Mundo.
A diferença entre um erro crasso e um erro intencional está, sobretudo, na intenção.
O erro crasso, também conhecido como erro grosseiro, é uma falha evidente, que ocorre por desatenção, despreparo, negligência ou falta de conhecimento. Não existe a vontade deliberada de prejudicar alguém; trata-se de um equívoco que qualquer observador minimamente atento consegue identificar.
Já o erro intencional possui natureza completamente diferente. Trata-se de um ato consciente, planejado e praticado de forma deliberada. Há intenção de favorecer, manipular ou prejudicar alguém. Em outras palavras, caracteriza-se pela má-fé.
Feita essa distinção, vamos aos fatos.
Assim como milhões de brasileiros, sempre cultivei uma rivalidade esportiva com a Argentina. Entretanto, isso jamais me impediu de admirar os grandes talentos que o futebol argentino produziu ao longo da história.
Basta lembrar dois gênios da bola: Diego Armando Maradona e Lionel Messi.
Quem não se recorda do inesquecível gol de Maradona contra a Inglaterra, nas quartas de final da Copa do Mundo de 1986? Em uma arrancada de cerca de 60 metros, driblou praticamente toda a defesa inglesa antes de vencer Peter Shilton. A FIFA eternizou aquela obra-prima como o "Gol do Século".
Messi, por sua vez, também construiu uma carreira repleta de jogadas extraordinárias e, independentemente das preferências clubísticas ou nacionais, já garantiu seu lugar entre os maiores jogadores de todos os tempos.
Mas uma coisa é reconhecer a genialidade de um craque. Outra, completamente diferente, é fechar os olhos para decisões de arbitragem que levantam dúvidas e alimentam questionamentos.
Argentina x Argélia – O cartão vermelho que não veio
Na estreia da Argentina 3 x 0 Argélia, Lionel Messi acertou as travas da chuteira na panturrilha do zagueiro Aïssa Mandi após errar um desarme.
O árbitro marcou apenas falta e sequer aplicou cartão amarelo.
Diversos analistas de arbitragem avaliaram que o lance era passível de expulsão direta, gerando intenso debate entre especialistas, jornalistas e torcedores.
Foi um simples erro de interpretação ou uma tolerância excessiva?
Marrocos x Argentina – O gol anulado que mudou o jogo
Nas oitavas de final, a Argentina venceu por 3 a 2.
O momento mais polêmico ocorreu quando o gol de empate do Egito foi anulado após intervenção do VAR, que identificou uma suposta falta de ataque no início da jogada.
A decisão provocou forte reação da Federação Egípcia de Futebol, que apresentou uma reclamação formal à FIFA, questionando a atuação da arbitragem.
Logo após a anulação do gol, a Argentina marcou o terceiro e garantiu sua classificação.
Mais uma coincidência?
Argentina x Suíça – A expulsão que mudou a partida
Talvez o episódio mais controverso tenha ocorrido nas quartas de final diante da Suíça.
Após revisão do VAR por erro de identificação, o cartão amarelo inicialmente mostrado ao argentino Leandro Paredes foi retirado e aplicado ao suíço Breel Embolo, acusado de simulação.
Como Embolo já havia sido advertido anteriormente, acabou expulso.
O detalhe é que a Suíça vivia seu melhor momento na partida, havia empatado o jogo em 1 a 1 e exercia forte pressão sobre os argentinos.
Com um jogador a menos, perdeu força, sofreu o terceiro gol e acabou eliminada.
A decisão foi correta? A interpretação da nova regra foi aplicada de forma uniforme? São perguntas que permanecem sem respostas capazes de convencer boa parte do público.
Coincidência ou padrão?
Isoladamente, qualquer erro de arbitragem pode ser compreendido como parte do futebol.
Afinal, árbitros erram.
O VAR também erra.
As regras permitem interpretações diferentes.
Entretanto, quando episódios polêmicos passam a ocorrer sucessivamente envolvendo a mesma seleção, é natural que surjam dúvidas.
É exatamente aí que nasce o debate.
Estamos diante de uma sequência de erros grosseiros? Ou existe um padrão de decisões que, ainda que involuntariamente, acabam beneficiando sempre o mesmo lado?
Não faço essa afirmação.
Faço apenas uma constatação: a repetição desses episódios alimenta suspeitas e desgasta a credibilidade da competição.
Nos bastidores do futebol, multiplicam-se teorias segundo as quais haveria interesse em transformar a última Copa do Mundo de Lionel Messi em um encerramento perfeito de sua carreira pela seleção argentina.
Não compartilho dessa conclusão sem provas.
Messi não precisa de qualquer ajuda para entrar definitivamente na história. Seu talento já lhe garantiu lugar ao lado de Pelé, Maradona, Cruyff, Beckenbauer, Ronaldo, Zidane e tantos outros gigantes que marcaram época.
O que preocupa não é a Argentina.
Não é Messi.
É a credibilidade da arbitragem.
Porque quando o torcedor deixa de discutir o futebol para discutir o árbitro, quem perde é o espetáculo.
Se os próximos jogos das semifinais e da grande final transcorrerem sem polêmicas, tanto melhor para o futebol.
Mas, caso novos episódios semelhantes ocorram, a pergunta que dá título a este artigo continuará ecoando entre milhões de apaixonados pelo esporte:
Estamos diante de erros crassos... ou de algo muito mais preocupante?
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