O atacante Vinícius Júnior poderia ter evitado um desgaste desnecessário após a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Em entrevista concedida após o empate diante de Marrocos, o camisa 10 atribuiu parte das dificuldades da equipe às condições do gramado, alegando que o calor fazia a grama secar rapidamente, dificultando a circulação da bola e o desenvolvimento das jogadas.
Mas há momentos em que o futebol exige algo mais importante do que explicações: exige humildade para reconhecer quando o desempenho esteve abaixo do esperado.
Nem sempre as coisas acontecem como planejado. Existem dias em que nada dá certo. E, convenhamos, para Vinícius Júnior, a única jogada realmente decisiva na partida foi o chute que resultou no gol de empate da Seleção Brasileira. Um gol importante, sem dúvida, mas insuficiente para esconder uma atuação coletiva bastante preocupante.
O que chama a atenção é que o mesmo gramado apontado como obstáculo para o Brasil foi exatamente o mesmo utilizado pela seleção marroquina. E os africanos, especialmente durante o primeiro tempo, deram uma verdadeira aula de organização, movimentação e troca de passes. Enquanto os brasileiros encontravam dificuldades para construir jogadas, os marroquinos exibiam leveza, velocidade e objetividade.
Quem acompanhou a partida teve a sensação de assistir a uma inversão de papéis. O toque de bola envolvente, que durante décadas foi marca registrada da Seleção Brasileira, apareceu do outro lado do campo. E isso deve servir como motivo de reflexão para jogadores, comissão técnica e dirigentes.
Mesmo sendo brasileiro e desejando o sucesso da nossa seleção, foi impossível não admirar a qualidade apresentada por Marrocos. Jogadores como Achraf Hakimi comandaram as ações com personalidade, técnica e inteligência, expondo fragilidades que o Brasil precisa corrigir urgentemente se quiser sonhar com voos mais altos nesta Copa.
O futebol é um esporte apaixonante justamente porque não admite desculpas fáceis. O torcedor aceita derrotas, empates e até atuações ruins. O que ele não aceita é a tentativa de transferir responsabilidades para fatores externos quando os problemas estão evidentes dentro das quatro linhas.
Fica aqui um recado a Vinícius Júnior, um dos maiores talentos do futebol mundial na atualidade: assumir os próprios erros costuma ser mais digno e mais respeitoso com quem acompanha e apoia a Seleção. O torcedor viu o jogo. Viu as dificuldades do Brasil. Viu a superioridade de Marrocos em diversos momentos. E sabe perfeitamente que o gramado não foi o principal problema da equipe.
Agora, restam os próximos desafios contra Haiti e Escócia. O Brasil terá novas oportunidades para mostrar evolução, corrigir falhas e convencer dentro de campo. Afinal, quando a bola rola, o futebol costuma ser implacável com as desculpas e generoso com aqueles que apresentam respostas.
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