A Polícia Federal (PF), em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), deflagrou nesta quinta-feira (25) a segunda etapa da Operação Disclosure, que apura as irregularidades contábeis bilionárias envolvendo as Americanas.
Na ação, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Além disso, a 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro autorizou o bloqueio de bens e ativos dos investigados até o montante de R$ 54 bilhões, quantia que, segundo perícias técnicas, corresponde ao prejuízo estimado causado pelas fraudes.
Nesta nova fase, as investigações se concentram em verificar se acionistas da varejista e representantes de alguns dos maiores bancos privados do país tiveram participação no esquema sob apuração.
A operação representa mais um capítulo de um escândalo que veio à tona em janeiro de 2023 e levou uma das maiores empresas do varejo brasileiro à recuperação judicial. Relembre o caso:
Relembre o caso Americanas
O escândalo veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando as Americanas divulgaram um fato relevante informando que haviam sido identificadas "inconsistências em lançamentos contábeis" nos balanços corporativos, estimadas inicialmente em cerca de R$ 20 bilhões.
Segundo a companhia, os valores referentes aos primeiros nove meses de 2022 e a exercícios anteriores não haviam sido registrados de forma adequada.
À época, o então presidente Sergio Rial deixou o cargo apenas nove dias após assumir a função, assim como o diretor financeiro André Covre.
Na ocasião, a companhia informou possuir apenas R$ 800 milhões em caixa, valor muito inferior aos R$ 8,6 bilhões divulgados no balanço do terceiro trimestre de 2022, tornando sua situação financeira insustentável.
Posteriormente, a recuperação judicial tornou-se uma das maiores da história empresarial brasileira, envolvendo dívidas superiores a R$ 50 bilhões.
Em março de 2026, a companhia informou que havia cumprido as obrigações previstas no plano de recuperação judicial com vencimento até dois anos após sua homologação e protocolou o pedido de encerramento do processo. A Justiça aceitou o encerramento, marcando a saída formal da empresa da recuperação judicial.
No processo de reestruturação, a Americanas já promoveu a venda de ativos estratégicos como a holding Uni.Co, que reúne marcas como Imaginarium e Puket, em uma operação adquirida pelo grupo BandUP!.
A companhia também vem reduzindo sua estrutura por meio do fechamento ou desmobilização de unidades menos rentáveis, dentro da estratégia de simplificação do negócio e geração de caixa no contexto da recuperação judicial.
Avanço das investigações
Com o aprofundamento das apurações, a Polícia Federal concluiu que ex-executivos da companhia teriam manipulado deliberadamente os resultados financeiros para apresentar um caixa artificialmente elevado e melhorar indicadores da empresa perante investidores e o mercado.
Segundo os investigadores, a maquiagem contábil permitia ocultar dívidas, inflar lucros e gerar valorização indevida das ações negociadas na Bolsa, beneficiando diretamente os responsáveis por meio de bônus e operações com papéis da companhia.
Em junho de 2024, a PF deflagrou a primeira fase da Operação Disclosure. Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão contra ex-executivos das Americanas, além de pedidos de prisão preventiva contra o ex-CEO Miguel Gutierrez e a ex-diretora Anna Christina Ramos Saicali, que estavam no exterior.
As investigações identificaram indícios de crimes como manipulação de mercado, uso de informação privilegiada, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Nova fase da Operação Disclosure
Na segunda fase da operação, realizada nesta quinta-feira (25), a PF ampliou o foco das investigações para apurar se acionistas da empresa e representantes dos principais bancos privados do país também tiveram participação no esquema.
Além dos nove mandados de busca e apreensão, a Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 54 bilhões em bens e valores dos investigados, montante correspondente ao prejuízo estimado pelas fraudes apontadas nos laudos técnicos periciais.
Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, ex-executivos da companhia montaram um esquema para inflar artificialmente os lucros e o caixa da empresa, ocultando dívidas e manipulando balanços para valorizar as ações negociadas na Bolsa.
De acordo com a investigação, os envolvidos recebiam bônus milionários atrelados ao desempenho financeiro e lucravam com a venda de papéis valorizados artificialmente.
“Os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico”, afirmou a PF.
“As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa”, emendou.
G1 - Economia
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