EUA impõem novas tarifas punitivas ao Brasil por práticas desleais


Da redação*

O governo dos Estados Unidos anunciou a intenção de aplicar uma nova tarifa punitiva de 25% sobre produtos importados do Brasil. A medida foi proposta após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas práticas consideradas "desleais" por parte do governo brasileiro. As informações são da agência internacional de notícias da  Reuters

Segundo o relatório divulgado nesta segunda-feira (1º), as políticas e práticas adotadas pelo Brasil seriam consideradas "irrazoáveis" e estariam restringindo ou onerando o comércio norte-americano. A nova tarifa poderá entrar em vigor a partir do dia 15 de julho de 2026, caso seja confirmada após o período de consultas públicas e negociações entre os dois países.

Entre os principais pontos questionados pelos Estados Unidos estão questões relacionadas ao comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, como o Pix, concessão de tarifas preferenciais, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e ações de combate ao desmatamento ilegal.

Apesar da proposta de sobretaxação, diversos produtos brasileiros ficarão isentos da nova cobrança. Entre eles estão carne bovina, café, frutas, nozes, petróleo bruto e derivados, fertilizantes, compostos farmacêuticos, produtos químicos orgânicos, terras raras, além de determinados metais, minérios, aeronaves e peças de aeronaves.

De acordo com o USTR, as exceções foram definidas para evitar impactos negativos em setores considerados estratégicos para a economia norte-americana e para produtos que não podem ser produzidos em quantidade suficiente nos Estados Unidos ou obtidos facilmente em outros mercados.

A decisão está fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974, instrumento legal utilizado pelo governo americano para investigar e responder a práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses do país.

O processo segue em fase de consulta pública. Interessados poderão apresentar comentários até o dia 1º de julho, enquanto uma audiência pública está prevista para ocorrer em 6 de julho. Paralelamente, representantes dos governos brasileiro e norte-americano continuam as negociações na tentativa de evitar a adoção das medidas.

A investigação já reuniu depoimentos de mais de 30 testemunhas e recebeu quase 300 manifestações formais.

Segundo o embaixador norte-americano Jamieson Greer, a investigação foi aberta a pedido do presidente Donald Trump, que demonstrou preocupação com políticas comerciais brasileiras consideradas problemáticas pelos Estados Unidos.

"Continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação. Espero dar continuidade ao diálogo com o governo brasileiro antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a adoção de eventuais medidas corretivas", afirmou Greer.

Caso a proposta seja confirmada, a medida poderá impactar significativamente as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, dois dos principais parceiros econômicos do continente americano.

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