O Nordeste brasileiro está pronto para contribuir ativamente com a construção de soluções globais inovadoras e replicáveis para os desafios trazidos pelas mudanças climáticas e apresenta o recaatingamento como uma abordagem estruturante e integrada para o enfrentamento da desertificação e da degradação da terra nas regiões semiáridas.
A afirmação está na Carta Aberta do 5º Encontro Regional Nordeste do ICLEI Brasil, assinada pela rede ICLEI Brasil, o Consórcio Nordeste e a Secretaria de Meio Ambiente do Estado da Bahia, lida no encerramento do primeiro dia de encontro, que acontece em Salvador até esta sexta-feira (29).
O documento, que reflete o debate realizado no encontro, também aponta que os desafios atuais exigem respostas adequadas a cada território e defende o fortalecimento da cooperação interfederativa e da governança multinível como condição essencial para a implementação efetiva da ação climática, bem como a necessidade de ampliar o acesso de governos subnacionais ao financiamento climático internacional.
Brasil: fonte de inovação e conhecimento para o mundo
O encontro contou com a presença de Andrea Meza, secretária-executiva da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD-ONU).
Meza afirmou ver no Brasil uma fonte de inovação e conhecimento para o mundo na questão da desertificação. "O país tem demonstrado possuir todas as condições de adotar medidas de recuperação e preservação que beneficiem as populações locais", disse ela, durante o encontro.
A secretária ressaltou que a busca de um modelo que equilibre preservação ambiental, desenvolvimento econômico e impacto social é uma questão de governo. "As autoridades precisam encarar esse equilíbrio como um desafio que não é mais local, e sim global. Combater a seca tornou-se uma prioridade mundial", reforçou ela.
O secretário executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, explicou que, enquanto outras regiões áridas do planeta lutam contra a desertificação com pouca ou nenhuma vegetação nativa, a Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, guarda um potencial transformador, com grande captura de carbono e potencial de bioeconomia. Além dos saberes tradicionais, práticas resilientes de convivência com a seca e sistemas sustentáveis de produção de alimentos desenvolvidos pelas comunidades que ali vivem.
"Se conseguirmos isolar os genes da resiliência da Caatinga e aplicar no arroz, no feijão, na soja, no milho, nós resolvemos o problema da falta de água para a produção de alimentos", afirmou.
Ao articular restauração ecológica, fortalecimento das economias locais e participação ativa das comunidades, o recaatingamento consolida-se como uma das principais Soluções Baseadas na Natureza para as regiões secas do planeta.
Consorcio Nordeste
Não
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