Em 2016 diante da iminente prisão imediata de Lula, Dilma liga para Lula para lhe comunicar que seu "Office Boy de luxo, Messias, vulgo Bessias, iria deixar nas mãos do ex-presidente um documento mostrando ter ele foro privilegiado como ministro do governo, não podendo ser preso por ordem de um juiz federal de primeira instância. Naquele episódio, o personagem Jorge Messias, portador do “papel”, tornou-se nacionalmente conhecido.
Dizia o conteúdo da ligação, interceptada:
“Messias, tá aí? (…) Eu tô te mandando o ‘Bessias’ junto com o papel, o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse”.
A frase, que atravessou o país como um raio em céu aberto, não apenas viralizou, ela cristalizou uma percepção. Ali, naquele áudio, nascia para o imaginário popular o “Bessias”, uma figura associada não à técnica jurídica, mas à política de bastidores, ao improviso e à tentativa de contornar o inevitável.
Anos depois, o personagem volta ao centro do palco, não mais como coadjuvante de uma crise institucional, mas como protagonista de uma indicação ao mais alto tribunal do país. E foi justamente nesse momento que o Senado Federal resolveu dar uma resposta que ecoa muito além do plenário: um sonoro, inequívoco e histórico NÃO. Uma rejeição de um ministro indicado para o STF jamais visto em 134 anos.
A rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal não pode ser vista apenas como um episódio isolado. Trata-se de um marco político, um recado institucional e, acima de tudo, um freio, ainda que tardio, a uma prática que há décadas incomoda parte da sociedade brasileira: a escolha de ministros da Suprema Corte baseada mais na confiança pessoal do que no mérito técnico.
O Senado, muitas vezes acusado de subserviência, desta vez rompeu o script. Em vez de carimbar automaticamente a vontade do Palácio do Planalto, fez valer sua prerrogativa constitucional. E o fez diante de um nome que carregava não apenas um currículo, mas também um histórico político que pesou, e muito, na balança.
Não se trata aqui de discutir a capacidade jurídica de Messias, mas sim o simbolismo de sua trajetória. Para muitos, sua imagem ainda está indissociavelmente ligada ao episódio do “Bessias”, àquela cena que, para críticos, representa um dos momentos mais delicados da relação entre política e Justiça no Brasil recente.
O recado dado pelo Senado é claro: não basta ser da confiança do presidente; é preciso convencer a República. E convencer a República significa atravessar o crivo da opinião pública, da biografia e, sobretudo, da independência necessária para ocupar uma cadeira no Supremo.
Ao rejeitar Messias, o Senado também sinaliza que, talvez, esteja disposto a reequilibrar os poderes, ainda que pontualmente. E isso, por si só, já é digno de nota.
No fim das contas, o “Bessias” de ontem encontrou o NÃO de hoje. E, ironicamente, aquele “papel” que um dia seria usado “em caso de necessidade” acabou sendo substituído por outro, muito mais contundente: o voto contrário de uma Casa que, desta vez, resolveu dizer basta.
(*) Redator chefe do TMNews do Vale
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