Foto crédito TMNews do Vale
Por Taciano Medrado*
Juazeiro amanheceu neste domingo (17) mais uma vez diante de uma cena que, infelizmente, já se tornou frequente para muitos moradores: ruas, avenidas e calçadas tomadas por sacos de lixo acumulados, resíduos espalhados e um odor que denuncia a ausência de um serviço essencial que deveria ser tratado como prioridade absoluta.
Vale salientar que para os Bairros Castelo Branco, Tancredo Neves e Dom Tomaz e adjacências, a programação de coletas são terças, quintas-feiras e sábado. Significa se não houver uma ação emergencial por parte do setor responsável, o lixo ficará acumulado até a próxima terça-feira(19).
Vale salientar que para os Bairros Castelo Branco, Tancredo Neves e Dom Tomaz e adjacências, a programação de coletas são terças, quintas-feiras e sábado. Significa se não houver uma ação emergencial por parte do setor responsável, o lixo ficará acumulado até a próxima terça-feira(19).
Sem qualquer comunicado prévio à população, moradores de diversos bairros relataram que a coleta de lixo prevista para o sábado (16) simplesmente não aconteceu. Resultado: o lixo ficou nas portas das residências, exposto ao sol, aos animais e aos riscos sanitários que acompanham esse tipo de negligência.
A pergunta que fica é simples: o que aconteceu? Houve problema operacional? Paralisação? Falta de planejamento? Deficiência contratual? Independentemente da justificativa, o mínimo que se espera de uma gestão pública é transparência e respeito ao cidadão. O silêncio, quando a cidade amanhece coberta por lixo, torna-se ainda mais ensurdecedor.
E não se trata apenas de uma questão estética. Não é somente uma cidade "feia" ou mal cuidada. Estamos falando de saúde pública.
A ausência da coleta transforma bairros inteiros em potenciais focos de contaminação. O acúmulo de resíduos favorece a proliferação de ratos, baratas, moscas, escorpiões e do mosquito Aedes aegypti, vetor de doenças como dengue, zika e chikungunya. O mau cheiro toma conta das vias públicas, enquanto materiais cortantes e resíduos orgânicos expostos representam risco direto para pedestres, trabalhadores e catadores.
Além disso, o chorume gerado pelo lixo acumulado pode infiltrar-se no solo, atingir recursos hídricos e causar impactos ambientais que ultrapassam os limites dos bairros afetados.
Mas existe outro aspecto que precisa ser lembrado: a limpeza urbana não é favor, é obrigação legal.
A Constituição Federal e a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) estabelecem que a gestão dos resíduos sólidos e os serviços de limpeza urbana são responsabilidades do município. Quando há omissão ou falha grave na prestação desse serviço essencial, a situação pode gerar questionamentos nas esferas administrativa, ambiental e jurídica.
A negligência continuada pode ser interpretada como afronta aos princípios da administração pública e, em casos específicos, resultar em responsabilizações previstas em lei.
Juazeiro não pode conviver com a normalização do improviso. O cidadão paga impostos, cumpre seus deveres e espera o mínimo: ruas limpas, serviços funcionando e informações claras quando houver interrupções.
Porque uma cidade que abandona o lixo nas ruas também corre o risco de abandonar sua dignidade.
E a população, mais uma vez, continua esperando respostas do prefeito "cheiro só no coração", por que a cidade só exala fedor.
(*) Redação do TMNews do Vale.
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