Entre promessas de campanha, discursos otimistas e narrativas de recuperação econômica, a realidade continua chegando primeiro ao bolso dos mais pobres.
Por Taciano Medrado*
Olá caríssimos,
Durante a campanha eleitoral e nos primeiros movimentos do Governo Lula 3, uma das imagens mais repetidas foi a da "picanha e cervejinha". A frase virou símbolo de uma promessa: devolver poder de compra ao brasileiro, especialmente às famílias de baixa renda, historicamente mais afetadas por crises econômicas.
Mas a matemática do supermercado parece não estar fechando a conta do discurso oficial.
Dados recentes do Indicador de Inflação por Faixa de Renda do IPEA mostram que a inflação continua sendo um peso significativo para os brasileiros mais pobres. O instituto vem apontando que oscilações nos preços de alimentos, habitação, saúde e serviços essenciais impactam de forma distinta as faixas de renda, atingindo diretamente aqueles que têm menos margem para absorver aumentos.
E aí surge a pergunta inevitável: onde está a prometida fartura?
Porque, na prática, para quem vive contando moedas no final do mês, a "picanha" segue parecendo artigo de luxo e a "cervejinha" talvez tenha sido substituída pelo velho copo de água gelada. Afinal, quando arroz, medicamentos, energia, gás e itens básicos pressionam o orçamento doméstico, o discurso político enfrenta um adversário implacável: a realidade da feira, do mercadinho e do cartão de crédito.
O governo costuma comemorar números macroeconômicos, crescimento do PIB, redução do desemprego e indicadores positivos. E é correto celebrar avanços quando eles acontecem. O problema começa quando a propaganda política tenta vender ao cidadão uma sensação econômica que ele simplesmente não sente no bolso.
Economia não se mede apenas em coletivas de imprensa. Mede-se na fila do supermercado. Mede-se na quantidade de itens retirados do carrinho. Mede-se quando o pai ou a mãe de família passa a trocar produtos, reduzir marcas ou desistir de compras essenciais.
A grande ironia da política brasileira talvez seja essa: promessas costumam ser servidas em bandejas fartas; já a conta chega em pratos bem menores.
E enquanto a famosa "picanha" continua desfilando nos discursos oficiais, milhões de brasileiros seguem fazendo aquilo que aprenderam ao longo das décadas: apertando o cinto para sobreviver.
(*) Redator chefe do TMNews do Vale
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