GOVERNO LULA 3 PROMETEU PICANHA E CERVEJINHA, MAS AS FAMÍLIAS DE BAIXA RENDA RECEBERAM INFLAÇÃO EM ABRIL, DIZ PESQUISA DO IPEA

Entre promessas de campanha, discursos otimistas e narrativas de recuperação econômica, a realidade continua chegando primeiro ao bolso dos mais pobres.

Imagem criada pela equipe do TMNews do Vale com auxílio do gerador de imagens com IA.

Por Taciano Medrado*

Olá caríssimos,

Durante a campanha eleitoral e nos primeiros movimentos do Governo Lula 3, uma das imagens mais repetidas foi a da "picanha e cervejinha". A frase virou símbolo de uma promessa: devolver poder de compra ao brasileiro, especialmente às famílias de baixa renda, historicamente mais afetadas por crises econômicas.

Mas a matemática do supermercado parece não estar fechando a conta do discurso oficial.

Dados recentes do Indicador de Inflação por Faixa de Renda do IPEA mostram que a inflação continua sendo um peso significativo para os brasileiros mais pobres. O instituto vem apontando que oscilações nos preços de alimentos, habitação, saúde e serviços essenciais impactam de forma distinta as faixas de renda, atingindo diretamente aqueles que têm menos margem para absorver aumentos.

E aí surge a pergunta inevitável: onde está a prometida fartura?

Porque, na prática, para quem vive contando moedas no final do mês, a "picanha" segue parecendo artigo de luxo e a "cervejinha" talvez tenha sido substituída pelo velho copo de água gelada. Afinal, quando arroz, medicamentos, energia, gás e itens básicos pressionam o orçamento doméstico, o discurso político enfrenta um adversário implacável: a realidade da feira, do mercadinho e do cartão de crédito.

O governo costuma comemorar números macroeconômicos, crescimento do PIB, redução do desemprego e indicadores positivos. E é correto celebrar avanços quando eles acontecem. O problema começa quando a propaganda política tenta vender ao cidadão uma sensação econômica que ele simplesmente não sente no bolso.

Economia não se mede apenas em coletivas de imprensa. Mede-se na fila do supermercado. Mede-se na quantidade de itens retirados do carrinho. Mede-se quando o pai ou a mãe de família passa a trocar produtos, reduzir marcas ou desistir de compras essenciais.

A grande ironia da política brasileira talvez seja essa: promessas costumam ser servidas em bandejas fartas; já a conta chega em pratos bem menores.

E enquanto a famosa "picanha" continua desfilando nos discursos oficiais, milhões de brasileiros seguem fazendo aquilo que aprenderam ao longo das décadas: apertando o cinto para sobreviver.

(*) Redator chefe do TMNews do Vale

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