Filhos da terra?



Olá caríssimos leitores,

Ontem, quinta-feira (7), eu postei nas páginas das minhas redes sociais, Instagram e Facebook, um banner de um jovem pré-candidato a deputado federal pela Bahia, chamado Carlos Muniz Filho. Logo após a publicação, um dos meus contatos me questionou:

“Professor, por que o senhor está escolhendo o nome de uma pessoa que não é filho da nossa terra?”

Como toda pergunta carece de uma resposta, dessa vez resolvi inverter a lógica e respondi com outra pergunta:

“Por que eu deveria votar nos chamados ‘filhos da terra’?”

O que os pouquíssimos que estiveram na Câmara Federal fizeram efetivamente por Juazeiro? Absolutamente nada! A não ser se locupletarem do cargo em benefício próprio e dos “seus” amigos do rei.

Para dar coerência à minha decisão de não votar em nenhum “filho da terra”, reforcei o seguinte contra-argumento:

“Temos quantos deputados estaduais hoje? E, desses, quantos fizeram efetivamente por Juazeiro durante seus mandatos? Desafio que me apresentem projetos concretos que tenham beneficiado diretamente a população juazeirense.”

E é exatamente aí que começa a reflexão que proponho aos leitores.

Em tempos de pré-campanha eleitoral, uma expressão volta a ecoar pelos quatro cantos das cidades brasileiras, especialmente nas pequenas e médias cidades do interior: “sou filho da terra”. É impressionante como, de repente, surgem figuras políticas tentando vestir uma identidade popular, sentimental e regionalista, como se isso, por si só, fosse atestado de competência, compromisso e honestidade pública.

Mas afinal, ser “filho da terra” significa exatamente o quê?

Nascer numa determinada cidade não transforma ninguém automaticamente em defensor legítimo dos interesses do povo. Tampouco garante sensibilidade social, preparo administrativo ou compromisso moral com a coletividade. Se assim fosse, nossas cidades seriam verdadeiros paraísos administrativos, livres de corrupção, abandono e promessas não cumpridas.

O problema é que muitos desses autodenominados “filhos da terra” só se lembram de suas origens quando o calendário eleitoral começa a apertar. Durante anos desaparecem, silenciam diante dos problemas da população, não se posicionam sobre o caos na saúde, a precariedade da infraestrutura, o desemprego, os esgotos estourados, a falta d’água, o abandono dos bairros periféricos e a ausência de políticas públicas eficientes. Mas basta a eleição se aproximar para surgirem abraços, sorrisos, visitas às feiras livres, discursos emocionados e fotos estrategicamente calculadas.

De repente, o sujeito vira especialista em amor pela cidade.

Curioso é que muitos desses “filhos da terra” passaram anos usufruindo das benesses do poder, ocupando cargos públicos, fazendo acordos políticos obscuros e se beneficiando direta ou indiretamente da máquina pública. Alguns sequer residem mais na cidade há décadas, mas aparecem em períodos eleitorais tentando vender uma falsa imagem de proximidade com o povo.

A pergunta que fica é: onde estavam esses “salvadores locais” quando a população mais precisou?

Porque amar uma cidade não é apenas dizer que nasceu nela. Amar uma cidade é defendê-la diariamente. É cobrar melhorias. É fiscalizar o poder público. É lutar por investimentos. É respeitar o dinheiro do contribuinte. É ter coragem de enfrentar interesses poderosos em nome do bem coletivo.

Infelizmente, boa parte da política brasileira ainda aposta na emoção fácil, no sentimentalismo barato e no velho coronelismo disfarçado de proximidade popular. O eleitor é induzido a acreditar que votar em alguém “da terra” seria garantia de representatividade, quando, na prática, muitos desses personagens apenas reproduzem os mesmos vícios da velha política.

O povo precisa parar de votar apenas pela origem geográfica, pelo sobrenome tradicional, pelo favor recebido ou pelo discurso populista embalado em frases bonitas. O que deve ser analisado é o histórico, a coerência, a capacidade técnica, a postura ética e, principalmente, o compromisso verdadeiro com os interesses da população.

Ser “filho da terra” não pode servir de salvo-conduto moral.

Aliás, a história política brasileira já mostrou inúmeras vezes que muitos dos maiores prejuízos causados aos municípios vieram justamente daqueles que se diziam “legítimos representantes do povo”, mas que, ao chegarem ao poder, passaram a governar para grupos, aliados e interesses pessoais.

A política precisa deixar de ser um palco de oportunistas profissionais especializados em manipular emoções coletivas. Cidade não precisa de donos. Precisa de gestores competentes, responsáveis e comprometidos.

Porque, no final das contas, caro leitor, existe uma diferença gigantesca entre ser verdadeiramente filho da terra… e apenas usar a terra como trampolim eleitoral.

Por Taciano Medrado
Editor-chefe do TMNews do Vale

 


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