Olá caríssimos leitores,
De fato o Brasil não é um pais sério. Aqui tudo é motivo para virar um bacanal. Mais uma vez o Congresso Nacional protagoniza um espetáculo que revolta o cidadão comum: enquanto milhões de brasileiros enfrentam jornadas exaustivas de trabalho, transporte precário, salários achatados e uma carga tributária sufocante, deputados federais recebem autorização para trabalhar remotamente em plena sequência de feriados. Em outras palavras: Brasília esvazia, mas os salários continuam religiosamente depositados nas contas parlamentares.
A justificativa oficial é de que as sessões poderão ocorrer pelo sistema virtual Infoleg, permitindo registro de presença e votação pela internet. Traduzindo para o português claro: o deputado pode estar em qualquer lugar do Brasil, ou até descansando confortavelmente em sua base eleitoral, e ainda assim “marcar presença” como se estivesse cumprindo integralmente suas funções em Brasília.
O mais revoltante é perceber que isso ocorre justamente em um país onde o trabalhador comum não tem esse privilégio. O pedreiro, o motorista de aplicativo, o comerciário, o professor da rede pública, o enfermeiro e tantos outros brasileiros não podem simplesmente “bater ponto remoto” depois de um feriadão prolongado. Se faltarem ao trabalho, o desconto vem no contracheque. Já no Congresso, cria-se uma espécie de “home office parlamentar premium”, sustentado pelo bolso do contribuinte.
Evidentemente, ninguém é contra o uso da tecnologia para modernizar o Legislativo. O problema é a distorção moral da medida. O sistema remoto, que deveria ser excepcional, virou instrumento conveniente para reduzir a presença física dos parlamentares justamente quando mais se exige debate, produtividade e compromisso com os problemas reais do país.
Enquanto isso, as comissões legislativas sofrem esvaziamento. Reuniões são canceladas, discussões importantes são adiadas e pautas relevantes acabam sendo empurradas com a barriga. O Brasil segue atolado em problemas estruturais, saúde precária, insegurança pública, desemprego, inflação e corrupção, mas parte significativa da classe política parece mais preocupada em fortalecer agendas eleitorais nas bases do que cumprir o mandato para o qual foi eleita.
É curioso observar que, quando o assunto é aumento salarial, criação de benefícios ou ampliação de verbas parlamentares, o Congresso funciona em velocidade recorde. Não há feriado, não há home office, não há esvaziamento. Tudo anda rapidamente. Mas quando o debate envolve produtividade, responsabilidade fiscal ou sacrifícios compartilhados com a população, surge imediatamente uma criatividade impressionante para flexibilizar regras e aliviar a rotina dos nobres parlamentares.
O discurso oficial sempre tenta vender a ideia de “aproximação com as bases eleitorais”. Na prática, porém, o brasileiro começa a perceber que Brasília virou uma espécie de condomínio de luxo político, onde privilégios são tratados como direitos naturais e obrigações constitucionais como meros detalhes burocráticos.
A verdade é dura: o povo brasileiro trabalha muito para sustentar um Estado caro, pesado e frequentemente ineficiente. E quando vê seus representantes transformando o calendário de feriados em extensão informal de descanso político remunerado, cresce inevitavelmente a sensação de abandono e indignação.
O Brasil precisa urgentemente discutir produtividade no serviço público em todas as esferas, inclusive no Congresso Nacional. Mandato parlamentar não pode ser confundido com benefício vitalício nem com licença permanente para privilégios.
Porque no fim das contas, quem nunca entra em “home office” é o contribuinte brasileiro, esse sim obrigado a trabalhar todos os dias para pagar a conta da República.
(*) Redator chefe do TMNews do Vale
Não
deixe de curtir nossa página www.profesortacianomedrado.com e no Facebook e também Instagram para
acompanhar mais notícias do TMNews do Vale (Blog do professor TM)
Envie
informações e sugestões para o TMNews do Vale
pelo e-mail: tmnewsdovale@gmail.com



Postar um comentário