Por Taciano Medrado*
Olá caríssimos leitores,
Há fatos que, quando vêm à tona, revelam muito mais do que aquilo que aparece nas manchetes. Revelam a forma seletiva como parte da mídia brasileira escolhe seus alvos, define seus vilões e estabelece quem merece exposição pública e quem deve permanecer sob o confortável manto do silêncio. O caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro parece caminhar exatamente por essa estrada.
Quando surgiram notícias ligando recursos de Vorcaro ao senador Flávio Bolsonaro, uma parte da imprensa transformou o episódio em espetáculo. Manchetes chamativas, análises inflamadas, programas especiais e o tradicional tribunal midiático entraram em cena. O recado parecia claro: construir uma narrativa de desgaste político. O assunto ganhou destaque imediato e ocupou espaços nobres nos veículos de comunicação.
Mas eis que, ao se olhar abaixo da superfície, onde normalmente repousam as partes mais pesadas do iceberg, surgem informações indicando relações que também envolveriam outras figuras políticas e até setores influentes da comunicação nacional. E então algo curioso acontece: o barulho diminui, os holofotes se apagam e o assunto parece perder subitamente a urgência.
A pergunta inevitável surge: o critério é o fato em si ou quem está sentado na cadeira? Porque, se a régua usada para medir suspeitas e relações é rigorosa para uns, deveria ser igualmente severa para todos. Caso contrário, deixa de existir jornalismo investigativo e passa a existir conveniência editorial.
O problema não está em investigar Flávio Bolsonaro, Lula, Temer ou qualquer outra personalidade pública. O papel da imprensa é justamente questionar, apurar e informar. O problema começa quando a seletividade substitui a imparcialidade; quando determinados nomes viram manchetes explosivas enquanto outros recebem tratamento de rodapé, ou sequer recebem tratamento algum.
Ao longo da história, a imprensa conquistou respeito exatamente por exercer o papel de fiscal dos poderosos. Porém, quando passa a ser percebida como participante do jogo político, escolhe lados e administra narrativas, abre espaço para a desconfiança pública. E confiança, uma vez perdida, dificilmente é recuperada.
O mundo muda, a tecnologia avança, as redes sociais desmontam monopólios de informação, mas certos hábitos parecem permanecer intactos: alguns setores do jornalismo seguem enxergando a notícia não pelo peso do fato, mas pela conveniência do personagem.
E quando isso acontece, não é apenas uma reportagem que perde credibilidade. É a própria imprensa que passa a carregar dois pesos e duas medidas.
(*) Editor chefe do TMNews do Vale e analista político
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