SENILIDADE? Quando a toga perde o tom e a liturgia vira deboche: “fala um dialeto próximo do português, "um “tétum”, língua de Timor Leste"


Imagem criada pela equipe do TMNews do Vale com auxílio do gerador de imagens com IA.

Por Taciano Medrado*

Em um país já tensionado por disputas políticas, insegurança jurídica e descrédito institucional, o que se espera de um ministro do Supremo Tribunal Federal não é apenas conhecimento jurídico, é, sobretudo, equilíbrio, sobriedade e respeito. Quando isso falha, o problema deixa de ser individual e passa a ser institucional.

Em abril de 2026, uma declaração do ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), gerou atrito com o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ao ironizar o sotaque mineiro do político durante uma entrevista.

Detalhes do caso (abril de 2026):

A fala de Gilmar Mendes: O ministro afirmou, em entrevista à Record TV, que Zema “fala um dialeto próximo do português” e que muitas vezes não o entendia, sugerindo que o sotaque mineiro era difícil de compreender. Mendes também utilizou tom irônico ao comparar o modo de falar do ex-governador a um “tétum”,  língua de Timor Leste.

A reação de Zema: O ex-governador rebateu duramente, acusando o ministro de adotar um “português esnobe” e de demonstrar preconceito contra os mineiros. Zema afirmou que fala como “brasileiros simples” e que o magistrado “perdeu a noção”, criticando o que chamou de “intocáveis de Brasília”.

Repercussão: A declaração foi interpretada por apoiadores de Zema como um ataque não apenas ao político, mas ao povo mineiro, gerando forte reação nas redes sociais.

Mas o ponto central não é o embate em si, divergências fazem parte da democracia. O problema é como essas divergências são expostas por quem ocupa uma das mais altas cadeiras da República.

Quando um ministro do STF desce ao nível da ironia depreciativa, não está apenas criticando um adversário político, está flertando perigosamente com o preconceito regional, algo que deveria ser combatido, não estimulado. O Brasil é um país de sotaques, de identidades diversas, de múltiplas formas de expressão. Ridicularizar isso é, no mínimo, incompatível com a função de guardião da Constituição.

E aqui cabe a pergunta incômoda que ecoa fora das bolhas jurídicas e ganha força nas ruas: é arrogância ou desgaste?
Ou, como provoca o título deste editorial, estaríamos diante de sinais de senilidade, aquela incapacidade de perceber os próprios excessos e limites?

Não se trata de questionar a capacidade intelectual de ninguém, mas de apontar um comportamento recorrente: declarações atravessadas, posturas que tensionam relações institucionais e uma crescente desconexão com o sentimento popular.

O episódio também revela algo ainda mais grave: a sensação de que membros do Judiciário passaram a atuar como agentes políticos, opinando, provocando e, muitas vezes, inflamando o debate público, sem o ônus eleitoral que pesa sobre os demais atores da República.

Enquanto isso, cresce a percepção de um Supremo distante do cidadão comum, blindado por prerrogativas e cada vez mais exposto a críticas que antes eram sussurradas e hoje são ditas em alto e bom som.

No fim das contas, o episódio entre Gilmar Mendes e Romeu Zema é mais do que uma troca de farpas. É um sintoma de algo maior: a deterioração do debate público em níveis onde até quem deveria ser exemplo de compostura passa a agir como protagonista de polêmicas.

E quando a toga perde o tom, quem paga a conta é a credibilidade da Justiça.


(*) Editorial do TMNews do Vale

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