Política & Comportamento Eleitoral: Eleições e o gesto “clichê”, sem criatividade, dos “coraçõezinhos” dos candidatos



Imagem criada pela equipe do TMNews do Vale com auxílio do gerador de imagens com IA.

Por Taciano Medrado*

Em ano eleitoral, há algo que se repete com uma previsibilidade quase matemática: discursos ensaiados, promessas recicladas… e o já batido gesto, sem criatividade,  dos “coraçõezinhos” feito com as mãos. Seja em palanques, vídeos de redes sociais ou selfies com eleitores, candidatos de diferentes espectros ideológicos parecem aderir a uma mesma cartilha estética, a da política performática.

O símbolo, que deveria remeter a afeto, empatia e conexão com o povo, acabou se transformando em um recurso genérico, quase automático. Um gesto que, na prática, diz pouco, ou nada, sobre propostas, compromisso ou capacidade de gestão. No fim das contas, virou mais marketing do que mensagem.

O problema não está no gesto em si, mas no que ele passou a representar: uma tentativa de simplificar a política a um teatro emocional, onde vale mais parecer próximo do eleitor do que, de fato, estar. O “coraçãozinho” virou atalho. Um símbolo fácil para tempos de comunicação superficial.

Nas redes sociais, esse comportamento se intensifica. Vídeos cuidadosamente editados, trilhas sonoras emotivas e closes estratégicos reforçam a imagem de candidatos “do povo”, enquanto questões estruturais, saúde, educação, infraestrutura, ficam em segundo plano. A política se torna um produto, e o eleitor, um consumidor de sensações.

É claro que gestos simbólicos sempre fizeram parte da vida pública. Apertos de mão, abraços, visitas a comunidades, tudo isso compõe o ritual democrático. Mas há uma diferença entre o símbolo que nasce da espontaneidade e aquele que é repetido à exaustão como estratégia de convencimento.

O risco é evidente: quando todos fazem o mesmo gesto, ele perde valor. Mais do que isso, pode gerar desconfiança. O eleitor, cada vez mais atento, começa a perceber quando há mais encenação do que autenticidade. E, nesse cenário, o excesso de “coraçõezinhos” pode acabar produzindo o efeito contrário, afastamento em vez de aproximação.

Em tempos em que o Brasil se prepara para mais um ciclo eleitoral decisivo, talvez seja o momento de substituir gestos vazios por atitudes concretas. Menos coreografia, mais conteúdo. Menos símbolos prontos, mais verdade.

Porque, no fim, o que realmente conquista o eleitor não cabe entre os dedos formando um coração, mas no caráter e na reputação ilibada do pretenso candidato e nas ações que impactam, de fato, a vida das pessoas.

TMNews do Vale — Informação com responsabilidade.

(*) Redator chefe, psicopedagogo, professor e analista politico

Não deixe de curtir nossa página www.profesortacianomedrado.com e no  Facebook e também Instagram para acompanhar  mais notícias do TMNews do Vale (Blog do professor TM)

Envie informações e sugestões para o TMNews do Vale  pelo   e-mail: tmnewsdovale@gmail.com

Faça um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem