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Por Valter Bernat
A frustração de Davi Alcolumbre com a não indicação de Rodrigo Pacheco ao STF não é apenas um episódio de vaidade ferida — é sintoma de um jogo político mais profundo, onde promessas implícitas, alianças de ocasião e cálculos de poder se cruzam nos bastidores de Brasília. A eventual indicação de Jorge Messias para o STF não necessariamente dificulta a sabatina no Senado, mas certamente muda o clima e o tipo de questionamento.
Alcolumbre apostava em Pacheco como uma espécie de extensão política dentro da Corte. Não seria apenas “colocar um amigo no STF”, mas garantir uma ponte institucional entre o Senado e o Judiciário — algo especialmente valioso num momento em que o tribunal tem ampliado seu protagonismo. A indicação de Pacheco carregaria simbolismo: um ex-presidente do Senado migrando para o STF, reforçando a ideia de trânsito entre poderes e consolidando um eixo de influência.
Para Alcolumbre, a ida de Pacheco ao STF não era apenas um projeto de amizade, mas uma estratégia fundamental para consolidar seu próprio poder e influência sobre o Judiciário, além de garantir uma transição suave de comando dentro do Congresso Nacional
A decepção e a ira de Alcolumbre com a não indicação de Rodrigo Pacheco para o STF surgiram após Lula optar por indicar Jorge Messias – o “Bessias” da Dilma – para a vaga deixada pela aposentadoria de Barroso. Alcolumbre defendia abertamente o nome de seu principal aliado, o senador Rodrigo Pacheco, e acreditava ter recebido sinais ou até uma espécie de compromisso político de Lula de que o nome seria atendido em troca de apoio no Senado.
A não concretização desse movimento, portanto, soa – para Alcolumbre – como uma quebra de expectativa. Em Brasília, expectativa não atendida costuma ser interpretada como traição — mesmo quando nunca houve promessa formal. A irritação de Alcolumbre nasce justamente dessa zona cinzenta: o território onde acenos valem mais que palavras, e silêncios são lidos como compromissos.
E Alcolumbre tem a arma perfeita para sua retaliação: a presidência da CCJ, o mais poderoso colegiado do Senado. Como presidente da CCJ, cabe a ele pautar a sabatina do indicado ao STF. Sem a sabatina e a aprovação na comissão, a nomeação não pode sequer ser votada no plenário.
Ele, que se sentiu traído pela escolha de Messias, controla o ritmo da tramitação. Ele foi pego de surpresa com o envio da indicação sem uma conversa prévia mais clara com Lula, o que aumentou o mal-estar. Embora negue retaliação explícita, interlocutores do senador sinalizam que ele não tem pressa para pautar a sabatina na CCJ. A tendência atual é que a análise fique para o segundo semestre de 2026, possivelmente após as eleições municipais, ou até mais adiante.
Do lado do Planalto, a escolha – ou a demora em escolher outro nome – segue outra lógica. Indicar um ministro do STF não é apenas atender aliados; é pensar em legado, equilíbrio interno da Corte e custo político externo. Pacheco, embora respeitado, carrega consigo o peso de decisões recentes no Senado que dividiram opiniões, além de não ser unanimidade nem mesmo entre seus pares. Sua ida ao STF poderia ser vista como politização excessiva da Corte — algo que o governo, ao menos publicamente, tenta evitar.
O problema está na percepção. Messias, por ser um homem de confiança de Lula, sua indicação pode ser vista por parte dos senadores como excessivamente alinhada ao Planalto. E aí entra o jogo: a oposição tende a endurecer o discurso, levantar suspeitas de “indicação política” e tentar desgastar publicamente o nome — mesmo que, no fim, não tenha votos suficientes para barrar.
Por outro lado, há um fator importante: o Senado brasileiro raramente rejeita indicados ao STF. A sabatina costuma ser mais um ritual de exposição e recados políticos do que um verdadeiro filtro. Assim, a dificuldade maior não é ser aprovado — é o desgaste no processo. A verdade é que Lula queria – porque queria – que Pacheco fosse candidato ao governo de MG, o maior colégio eleitoral do país. Diz a história que: “quem ganha em MG, ganha no Brasil”. Daí sua preferência por Messias. Mas, tem o Zema…
Além da resistência política de Alcolumbre, Messias ainda enfrentará dificuldades para garantir os votos necessários. São exigidos pelo menos 41 votos no plenário do Senado em votação secreta, e na CCJ a contagem também é apertada, com vários senadores ainda indefinidos ou resistentes. O governo tem feito articulações para melhorar o apoio, mas o desgaste causado por preterir Pacheco continua pesando e tornando o ambiente mais hostil.
Resumindo, a indicação de Messias não torna a aprovação impossível — o Senado historicamente aprova a maioria dos nomes para o STF, mas cria obstáculos claros que atrasam o calendário, exigem mais negociação e dependem de um eventual gesto de reaproximação entre Lula e Alcolumbre para destravar de fato o processo. Até o momento, não há data definida para a sabatina.
No fim das contas, a sabatina deixa de ser sobre o currículo de Messias e passa a ser sobre o preço do apoio de Alcolumbre. O governo terá que negociar cada voto como se fosse uma PEC, já que o padrinho natural da vaga, Rodrigo Pacheco, foi preterido e perdeu o incentivo para pacificar a base em favor do escolhido de Lula.
(*) Advogado, analista de TI e editor do site carioca O Boletim
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