Olá caríssimos leitores,
Faltando menos de seis meses para o calendário eleitoral impor suas regras, o clima em Brasília já mudou, e não é de trabalho intensificado em favor da população, mas de contagem regressiva para o “aviso prévio” político no Congresso Nacional.
Deputados, senadores e ministros que sonham com cargos eletivos começam a se movimentar nos bastidores, ajustando discursos, redes sociais e alianças. A pauta legislativa? Essa vai ficando em segundo plano, empurrada para depois, como se o país pudesse entrar em modo de espera enquanto os interesses eleitorais são priorizados.
O chamado “aviso prévio” não é oficial, mas é real. Ele se manifesta na redução do ritmo das votações, no esvaziamento das sessões e na súbita transformação de parlamentares em candidatos em potencial. Projetos importantes travam, debates perdem profundidade e o foco muda: sai o interesse público, entra a sobrevivência política.
Ministros deixam seus cargos para disputar eleições, secretários assumem interinamente, e o governo passa a operar em modo híbrido, nem totalmente administrativo, nem completamente eleitoral. É a velha engrenagem da máquina pública sendo adaptada para atender ao calendário das urnas.
No Congresso, o fenômeno é ainda mais evidente. Parlamentares que antes defendiam determinadas pautas com veemência passam a moderar o discurso ou, em alguns casos, simplesmente desaparecem do plenário. Afinal, é preciso evitar desgaste, preservar imagem e, principalmente, não criar inimigos em ano eleitoral.
O problema é que, enquanto Brasília entra nesse compasso político-eleitoral, o Brasil real continua exigindo respostas. Saúde, segurança, infraestrutura e economia não entram em recesso. A população não pode esperar que as eleições passem para que o país volte a funcionar com normalidade.
O “aviso prévio” que se aproxima não deveria significar abandono de responsabilidades, mas, na prática, é exatamente isso que se observa em ciclos eleitorais sucessivos. O Congresso desacelera, o Executivo recalibra interesses e o cidadão fica, mais uma vez, em segundo plano.
Se há algo previsível no cenário político brasileiro, é justamente essa antecipação silenciosa das eleições. O problema não é o calendário, é a forma como ele é usado para justificar a inércia.
Em 2026, ao que tudo indica, o roteiro será o mesmo. Resta saber se o eleitor continuará assistindo passivamente a esse espetáculo ou se, finalmente, cobrará que o mandato, até o último dia, seja exercido com responsabilidade.
Porque, no fim das contas, o aviso prévio pode até chegar para os políticos. Mas para o Brasil, não deveria existir pausa.
(*) Professor, redator chefe e analista político
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