Em meio ao descrédito generalizado que assola a política brasileira, ainda é possível, sim, encontrar bons políticos. Homens e mulheres que ingressam na vida pública movidos por propósito, compromisso com a coletividade e, sobretudo, pela vontade genuína de transformar realidades. O problema não está na ausência total de bons quadros. O problema é o ambiente em que eles são inseridos.
O chamado “sistema”, essa engrenagem complexa e muitas vezes obscura que mistura interesses partidários, barganhas, favores, pressões e sobrevivência política, funciona como uma máquina de moer reputações e convicções. E é aí que mora o verdadeiro perigo: não é apenas a escassez de bons políticos, mas o risco concreto de que aqueles poucos que ainda resistem sejam absorvidos, moldados ou, pior, corrompidos por esse mecanismo perverso.
O jogo político no Brasil, em grande parte, não premia a integridade. Premia a conveniência. Quem não joga conforme as regras impostas pelos bastidores, frequentemente é isolado, silenciado ou simplesmente descartado. O resultado? Uma política que expulsa os bem-intencionados e acolhe os especialistas em sobrevivência a qualquer custo.
E quando um bom político cede, seja por pressão, necessidade ou cálculo, a perda não é apenas individual. É coletiva. Cada desvio de rota representa mais um golpe na esperança de que a política possa, de fato, servir ao povo e não a interesses próprios ou de grupos específicos.
Não se trata aqui de ingenuidade. A política exige articulação, negociação e, muitas vezes, concessões. Mas há uma linha tênue, e perigosa, entre negociar para governar e se render para permanecer. E é justamente nessa linha que muitos se perdem.
A sociedade, por sua vez, também carrega parcela de responsabilidade. Ao tolerar práticas duvidosas, ao votar por conveniência ou por benefícios imediatos, e ao se omitir diante de escândalos, contribui para a manutenção desse sistema que perpetua os mesmos vícios.
Ainda existem bons políticos, sim. Mas estão cada vez mais acuados, pressionados e testados diariamente. A grande questão que fica é: até quando resistirão? E mais importante ainda: quem, de fato, está disposto a defendê-los antes que sejam engolidos pelo mesmo sistema que tantos dizem combater?
No fim das contas, o maior risco não é a falta de esperança, é a sua lenta e silenciosa corrupção.
(*) Professor e analista político
Não
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