Quem tem TDAH tem direito a BPC? entenda os critérios do INSS


Por: Cinthia Ferreira Rodrigues Baldim*

Conviver com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) pode trazer desafios significativos para a pessoa diagnosticada e também para toda a família.

Dificuldades de concentração, problemas de aprendizagem, crises emocionais e obstáculos na convivência social são situações comuns enfrentadas no dia a dia. Além disso, muitas famílias precisam arcar com custos relacionados a consultas médicas, terapias, medicamentos e acompanhamento especializado.

Diante desse cenário, surge uma dúvida frequente: quem tem TDAH pode ter direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC)?

O benefício assistencial pode representar um importante apoio financeiro para famílias em situação de vulnerabilidade. No entanto, os critérios utilizados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) são rigorosos e exigem análise detalhada de cada caso.

Neste artigo, você entenderá como funciona a concessão do BPC em situações envolvendo TDAH e quais fatores são considerados na avaliação.

O que é o BPC/LOAS?

O Benefício de Prestação Continuada (BPC) é um benefício assistencial previsto na Lei Orgânica da Assistência Social l.

Ele garante o pagamento de um salário mínimo mensal para:

pessoas com deficiência; ou

idosos com 65 anos ou mais

que comprovem não possuir meios de se sustentar nem de ser sustentados pela família.

Diferentemente dos benefícios previdenciários, o BPC não exige contribuição ao INSS.

Quem tem TDAH pode receber o BPC?

O diagnóstico de TDAH, por si só, não garante automaticamente o direito ao benefício.

Para que o BPC seja concedido, é necessário comprovar dois requisitos principais:
1. Existência de deficiência com impedimentos de longo prazo

A condição precisa gerar limitações significativas e duradouras que dificultem:

a autonomia da pessoa;

a participação na vida social;

o acesso à educação ou ao trabalho.

Se o TDAH comprometer de forma relevante essas áreas da vida, ele pode ser considerado deficiência para fins do benefício.

2. Situação de baixa renda

A família deve comprovar renda mensal por pessoa inferior a 1/4 do salário mínimo.

Além disso, o INSS realiza:

perícia médica, para avaliar a condição de saúde;

avaliação social, para analisar a realidade socioeconômica da família.

Quem tem TDAH é considerado pessoa com deficiência?

No direito brasileiro, o conceito de deficiência não depende apenas do diagnóstico médico.

A análise leva em conta se a condição gera impedimentos de longo prazo que dificultam a participação plena e efetiva na sociedade.

Assim, o TDAH pode ser reconhecido como deficiência quando provoca:

dificuldade significativa de aprendizagem;

limitação para atividades sociais;

problemas graves de adaptação escolar ou profissional;

dependência constante de acompanhamento especializado.

Por esse motivo, relatórios médicos detalhados, documentos escolares e avaliações de profissionais de saúde podem ser fundamentais para demonstrar as limitações enfrentadas no cotidiano.

Qual é o valor do BPC?

O valor do benefício corresponde a um salário mínimo mensal.

No entanto, é importante observar algumas características do BPC:

não há pagamento de 13º salário;

o benefício não gera pensão por morte;

o beneficiário pode passar por reavaliações periódicas realizadas pelo INSS.

Mesmo assim, para muitas famílias, esse valor representa um importante auxílio para custear tratamentos, medicamentos, transporte e acompanhamento especializado.

O que fazer quando o INSS nega o BPC?

A negativa do benefício é relativamente comum, especialmente em casos envolvendo transtornos do neurodesenvolvimento.

Entre os motivos mais frequentes estão:

entendimento do perito de que o TDAH não gera impedimentos suficientes;

avaliação social que não reflete completamente a realidade da família;

ausência de laudos médicos detalhados ou outros documentos importantes.

Entretanto, a negativa administrativa não significa que o direito não exista.

Muitos casos são posteriormente analisados pelo Poder Judiciário, onde é possível apresentar provas mais amplas, como relatórios médicos, documentos escolares e depoimentos que demonstrem as dificuldades enfrentadas pela pessoa com TDAH.

Considerações finais

O TDAH pode dar direito ao BPC, desde que sejam comprovados dois fatores essenciais: a existência de limitações significativas de longo prazo e a condição de vulnerabilidade econômica da família.

Cada situação deve ser analisada de forma individual, considerando não apenas o diagnóstico, mas também o impacto real da condição na vida da pessoa.

Por isso, reunir documentação médica, escolar e social adequada pode ser fundamental para demonstrar os requisitos exigidos para a concessão do benefício.

(*) Advocacia estratégica e humanizada, com foco em resultado e segurança jurídica

Fonte: Artigo publicado originalmente pelo site Jusbrasil (link)


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