Olá caríssimos,
Mais uma vez, os números das contas públicas acendem o sinal de alerta, e não é pouca coisa. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue enfrentando dificuldades para equilibrar receitas e despesas, e os dados mais recentes divulgados pelo Tesouro Nacional escancaram uma realidade que o discurso oficial tenta suavizar: o rombo fiscal continua sendo uma pedra no sapato da atual gestão.
Segundo o levantamento divulgado nesta segunda-feira (30), o déficit primário de fevereiro fechou em R$ 30,046 bilhões. Em termos simples, o governo gastou muito mais do que arrecadou, ignorando, claro, os juros da dívida pública. E aqui está o ponto central: mesmo com aumento na arrecadação, o descontrole das despesas segue ditando o ritmo das contas públicas.
É verdade que houve uma leve melhora em relação a fevereiro de 2025, quando o rombo foi ainda maior (R$ 31,598 bilhões). Mas convenhamos: comemorar um déficit “menor” ainda é celebrar o prejuízo, apenas um pouco menos expressivo.
Receita cresce… mas não acompanha o gasto
Os dados mostram que a arrecadação até avançou. A receita líquida atingiu R$ 157,8 bilhões, com crescimento real de 5,6% acima da inflação. Houve aumento na cobrança de tributos como IOF e Cofins, além de maior entrada de recursos da Previdência, reflexo do crescimento do emprego formal.
Mas o problema não está na arrecadação, está no ritmo dos gastos.
Mesmo arrecadando mais, o governo continua incapaz de fechar a conta. A equação é simples: quando a despesa cresce sem controle, não há receita que dê conta.
Despesas em alta: a conta não fecha
As despesas totais chegaram a R$ 187,7 bilhões, com alta real de 3,1%. E aqui está o verdadeiro motor do déficit.
Os principais aumentos vieram de áreas sensíveis e politicamente estratégicas:
Educação: + R$ 3,4 bilhões (com destaque para o programa Pé-de-Meia);
Saúde: + R$ 1,4 bilhão;
Pessoal: + R$ 2,2 bilhões (reajustes salariais);
Previdência: + R$ 1,7 bilhão.
São gastos relevantes, sem dúvida. Mas o problema não é apenas “onde se gasta” — e sim “quanto se gasta” sem uma contrapartida sólida de receitas sustentáveis.
O “alívio” de janeiro: realidade ou ilusão contábil?
O governo tenta se escorar no superávit de janeiro, que elevou o resultado acumulado do ano para R$ 86,9 bilhões. Mas esse número, tradicionalmente inflado no primeiro mês do ano, não deve ser interpretado como sinal de equilíbrio fiscal.
Janeiro, historicamente, concentra arrecadações mais robustas, o que cria uma espécie de “colchão artificial” que rapidamente se desfaz ao longo dos meses seguintes.
Fevereiro já deu o recado.
Entre o discurso e a realidade
O governo Lula 3 insiste em defender responsabilidade fiscal, mas os números mostram outra dinâmica: aumento consistente das despesas e dificuldade estrutural de manter as contas no azul.
A pergunta que fica é inevitável: até quando será possível sustentar esse modelo?
Se não houver contenção de gastos ou reformas estruturais mais profundas, o risco é claro, e conhecido: aumento da dívida pública, pressão sobre juros e, no fim das contas, mais peso no bolso do contribuinte.
Porque, no fim da linha, não existe milagre fiscal. Existe conta. E alguém sempre paga por ela.
(*) Professor de Administração e Finanças, Análise de Investimentos e Engenharia Econômica e redator chefe do TMNews do Vale
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