Juazeiro- Uma cidade e duas realidades distintas

GOVERNO DE JUAZEIRO – “Cheiro no Coração” prioriza o centro da cidade e abandona a periferia à própria sorte


Por Taciano Medrado*

Enquanto o slogan oficial vende sensibilidade e cuidado com a cidade, a realidade enfrentada por milhares de moradores de bairros periféricos de Juazeiro revela um contraste gritante entre discurso e prática administrativa.

O tão propagado “Cheiro no Coração”, amplamente divulgado nas redes institucionais e nos eventos no centro da cidade, pelo prefeito de Juazeiro, Andrei Gonçalves, tem concentrado ações visíveis,  iluminação, pintura de meio-fio, revitalização de praças e operações tapa-buracos, sobretudo nas áreas centrais e de maior circulação comercial. O resultado é uma vitrine urbana maquiada, pronta para fotos e cerimônias.

Mas basta se afastar alguns quilômetros do centro para encontrar outra Juazeiro: ruas esburacadas, ausência de drenagem, esgoto a céu aberto, iluminação precária e coleta de lixo irregular. Em períodos chuvosos como o que está acontecendo agora na região,  a população de muitos bairros periféricos  convive com lama e poeira no verão, numa rotina que expõe a desigualdade estrutural do município.

Centro iluminado, periferia esquecida

Não se questiona a importância de investir no centro, coração econômico e cartão-postal da cidade. O problema está na falta de equilíbrio. Governar é priorizar, mas também é incluir. Quando os investimentos se concentram quase exclusivamente nas áreas mais visíveis, cria-se uma sensação de abandono nas comunidades mais distantes.

Moradores de bairros como Itaberaba, João Paulo II, Dom José Rodrigues e Alto do Cruzeiro relatam dificuldades básicas que deveriam ser tratadas como urgentes: pavimentação, drenagem pluvial, segurança e manutenção urbana. São demandas antigas que reaparecem a cada período chuvoso, acompanhadas de promessas renovadas e soluções temporárias.

Marketing ou política pública?

A gestão pública não pode se resumir à estética. Pintar fachadas e organizar eventos no centro não substitui planejamento de longo prazo, investimento estruturante e políticas públicas voltadas à redução das desigualdades urbanas.

O discurso de “cheiro no coração” sugere cuidado, acolhimento e proximidade com o povo. No entanto, para quem mora nas áreas mais vulneráveis, o sentimento predominante não é de carinho, mas de esquecimento.
A cidade real pede prioridade

Uma cidade não se mede apenas pelo brilho da sua orla ou pela movimentação do seu comércio central. Ela se mede pela qualidade de vida de quem acorda cedo na periferia, depende de transporte público irregular e enfrenta infraestrutura precária todos os dias.

Reclames da população da periferia

Moradores do bairro Sol Nascente, em Juazeiro, denunciam a situação crítica das vias da comunidade e cobram providências urgentes da gestão municipal. Segundo a leitora Edjane Fonseca, os transtornos enfrentados pela população se arrastam há pelo menos cinco anos e se agravam significativamente durante o período chuvoso.


De acordo com relato encaminhado à imprensa local, na véspera das eleições municipais de 2024 foi realizado o espalhamento de aterro em algumas ruas do bairro. No entanto, conforme a denúncia, o material utilizado seria inadequado, o que acabou contribuindo para piorar o problema ao invés de solucioná-lo.

“Quando faz sol, sofremos com muita poeira. Quando chove, os carros ficam atolados e fica quase impossível circular pelo bairro”, afirma a moradora, descrevendo as dificuldades diárias enfrentadas por quem precisa sair de casa para trabalhar, estudar ou acessar serviços básicos.

Ainda segundo os relatos, uma manutenção simples com o uso de máquinas poderia amenizar temporariamente a situação. Contudo, os moradores alegam que esse tipo de intervenção ocorre apenas em períodos eleitorais,  e, mesmo assim, de forma superficial e paliativa.

Diante do cenário, a comunidade do Sol Nascente pede uma solução definitiva, com pavimentação adequada e infraestrutura que garanta condições dignas de tráfego e mais qualidade de vida para todos. A população aguarda um posicionamento concreto do poder público municipal.

Juazeiro precisa de uma gestão que enxergue o município como um todo,  que entenda que desenvolvimento não pode ter CEP privilegiado. Caso contrário, o “cheiro no coração” corre o risco de se tornar apenas um slogan bonito, distante da realidade vivida por grande parte da população.

O desafio está posto: governar para todos ou apenas para a vitrine?

(*) Redação TMNews do Vale 

 


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