Apontar culpabilidade em gestões anteriores é se eximir das responsabilidades, quem assume uma gestão pública recebe o bônus e o ônus
Por Taciano Medrado*
A crise de desabastecimento de água que aflige a cidade de Juazeiro voltou a escancarar um velho e recorrente problema da política brasileira: a incapacidade de alguns gestores de assumir responsabilidades quando os problemas batem à porta da população.
Falta água nas torneiras, sobra indignação nas ruas. Mães, pais, crianças e idosos enfrentam diariamente a angústia de abrir a torneira e não encontrar sequer uma gota de água. Uma situação que ultrapassa o desconforto doméstico e entra no campo da dignidade humana.
Diante do caos, surge o discurso já conhecido: culpar as gestões anteriores. É verdade que muitos problemas estruturais das cidades são herdados, acumulados ao longo de anos, às vezes décadas, de decisões equivocadas, descaso administrativo ou planejamento insuficiente. No entanto, usar o passado como escudo permanente para justificar o presente é, no mínimo, uma tentativa de fugir da responsabilidade que o cargo exige.
Quem se candidata a governar uma cidade sabe, ou deveria saber, das dificuldades que encontrará. A campanha eleitoral não é um concurso de promessas sem compromisso; é, antes de tudo, um contrato moral com a população. E nesse contrato está implícito um princípio simples: quem assume a gestão pública recebe tanto o bônus quanto o ônus.
Não existe mandato apenas para colher aplausos, inaugurar obras e cortar fitas. Governar também significa enfrentar crises, resolver problemas históricos e dar respostas concretas quando a população mais precisa.
Quando falta água nas torneiras das casas, não adianta apontar o dedo para o retrovisor da história. A população quer solução, planejamento, transparência e ação. Quer saber quais medidas estão sendo tomadas, qual o prazo para normalização do abastecimento e quais investimentos estão sendo realizados para evitar que o problema se repita.
A política precisa aprender uma lição básica: responsabilidade não se transfere, se assume.
Enquanto o debate político se ocupa em buscar culpados no passado, a população continua esperando algo muito mais simples, água na torneira.
E isso, definitivamente, não pode esperar.
(*) Professor, analista político e redator chefe do TMNews do Vale
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