Gilmar Mendes e a teatralidade de segunda categoria no discurso em homenagem aos 9 anos de Moraes no STF



Por Taciano Medrado*

No palco sempre iluminado do Supremo Tribunal Federal, onde discursos muitas vezes se confundem com encenações cuidadosamente ensaiadas, o ministro Gilmar Mendes protagonizou mais um capítulo digno de análise crítica. 

Ao homenagear os nove anos de Alexandre de Moraes na Corte, o decano não apenas exaltou o colega , elevou-o à condição de figura quase redentora da democracia brasileira.

Em tom carregado de emoção, e com choro contido, Gilmar Mendes relembrou a atuação de Moraes nos episódios de 8 de Janeiro e, sobretudo, sua condução do Tribunal Superior Eleitoral em 2022. Segundo o ministro, Moraes teria sido peça-chave para evitar que o Brasil mergulhasse em um “abismo autoritário”, declaração que, embora impactante, carece de ponderação e sobriedade institucional.

O problema não está no reconhecimento de serviços prestados, algo legítimo e esperado entre pares, mas na forma como esse reconhecimento é exposto. Ao recorrer a uma narrativa quase messiânica, Gilmar Mendes parece ultrapassar os limites da deferência institucional e adentrar o terreno da exaltação pessoal, o que fragiliza a imagem de imparcialidade que se espera de um membro da mais alta Corte do país.

A emoção demonstrada, inclusive com menção às futuras gerações que reconheceriam Moraes, reforça a sensação de um discurso mais voltado à construção de uma narrativa histórica conveniente do que à análise equilibrada dos fatos. Em vez de contribuir para o fortalecimento da credibilidade do STF, tal postura alimenta a percepção de distanciamento entre a Corte e a sociedade.

Em um momento em que o Brasil exige serenidade, responsabilidade e, sobretudo, respeito às instituições, o excesso de teatralidade não ajuda, pelo contrário, compromete. O Supremo não precisa de protagonistas de discursos emocionados, mas de magistrados que se pautem pela discrição, pela técnica e pela imparcialidade e que não busque notoriedade e nem estrelismo.

Ao fim, fica a reflexão: quando a justiça se aproxima demais do espetáculo, corre-se o risco de transformar o essencial, a credibilidade institucional ,em mero coadjuvante.

(*) Editor chefe do TMNews do Vale

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