Por Taciano Medrado*
Olá caríssimos leitores,
O clima político em Juazeiro azedou de vez, e não foi por obra da oposição. O embate agora é interno. O chamado “fogo amigo” entre figuras do próprio Partido dos Trabalhadores(PT) expõe fissuras que, até pouco tempo, eram tratadas nos bastidores, mas que agora transbordam para as redes sociais e grupos de WhatsApp.
O vice-prefeito Tiano Félix reagiu com veemência às críticas feitas pelo vereador Alex Tanuri ao governador Jerônimo Rodrigues. A troca de farpas rapidamente ganhou repercussão e evidenciou um racha político que vai além de divergências pontuais, trata-se de disputa de narrativa, espaço e, sobretudo, sobrevivência política.
A crise se agravou quando a Comissão Executiva Municipal do Partido dos Trabalhadores decidiu suspender as atividades partidárias de Tanuri, impedindo-o de falar em nome da sigla. A medida, prevista no estatuto, revela que o partido optou por agir, ainda que tardiamente, diante de uma insubordinação pública que já vinha causando desconforto interno.
Em sua reação, Tiano Félix adotou o tom clássico de defesa institucional, resgatando o legado dos governos Lulopetistas. Citou avanços desde Lula, passando por Dilma Rousseff, Jaques Wagner, Rui Costa, até o atual governador. O discurso, no entanto, mais pareceu uma tentativa de reafirmar autoridade do que de pacificar o ambiente.
Sem mencionar diretamente o nome de Tanuri em determinados momentos, o vice-prefeito fez questão de alfinetar o histórico político do vereador, lembrando sua recente filiação ao PT e sugerindo incoerência em suas críticas atuais. A fala, carregada de ironia e memória seletiva, deixa claro que a disputa é também por legitimidade dentro da base.
Ao elencar obras e investimentos, como sistemas de abastecimento de água, integração viária e intervenções estruturantes, Tiano buscou reforçar a narrativa de entregas do governo estadual. No entanto, a estratégia parece não responder ao ponto central da crise: o desgaste interno e a dificuldade de alinhamento político dentro do próprio partido.
O episódio escancara uma realidade incômoda: enquanto o discurso público tenta sustentar unidade, a prática revela divisão. O PT de Juazeiro vive um momento de tensão em que divergências ideológicas se misturam a interesses eleitorais, tornando o debate menos programático e mais personalista.
Sobre o futuro de Alex Tanuri na sigla, Tiano confirmou a abertura de processo disciplinar, ressaltando que haverá direito à ampla defesa e ao contraditório, como manda o rito partidário. Nos bastidores, porém, a pergunta que ecoa é outra: trata-se de um ajuste de conduta ou de um ensaio para expulsão?
No fim das contas, o que se vê é um partido que, ao invés de mirar adversários externos, se ocupa em resolver suas próprias disputas internas, e faz isso sob os holofotes. Em política, fogo amigo costuma deixar marcas mais profundas do que qualquer ataque vindo de fora.
Quem conhece Alex Tanuri sabem que ele não é deixar barato uma provocação. Enquanto isso preparem as pipocas e os refrigerantes acomodem-se nas suas poltronas e aguardem os próximos capítulos desse imbróglio de cores vermelhas.
(*) Redator chefe do TMNews do Vale
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