Os três poderes da República e sua deterioração moral e ética
Por Taciano Medrado*
Olá carissimos leitores,
Sempre que estou com meus filhos e netos sou tomado por uma inquietude incômoda. O Brasil atravessa um momento que exige reflexão profunda. Mais do que disputas ideológicas ou polarizações políticas, o que está em jogo é algo ainda mais preocupante: o desgaste moral e ético das instituições que deveriam sustentar a República. A pergunta que ecoa, cada vez mais presente no cotidiano do cidadão comum, é simples e inquietante: que país estamos deixando para as futuras gerações?
A Constituição brasileira estabeleceu um sistema de equilíbrio entre três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, com a missão de garantir governabilidade, justiça e representação popular. No entanto, o que se observa em muitos momentos é um cenário de conflitos institucionais, interesses particulares e decisões que parecem cada vez mais distantes das reais necessidades da população.
No Poder Executivo, frequentemente assistimos a governos que, em vez de priorizarem políticas públicas estruturantes, se veem mergulhados em disputas políticas permanentes, estratégias eleitorais e narrativas que buscam mais a manutenção do poder do que a solução dos problemas do país. A gestão pública, que deveria ser instrumento de transformação social, muitas vezes se transforma em campo de batalha ideológica.
O Poder Legislativo, por sua vez, que deveria ser a voz direta da população, enfrenta uma crescente crise de credibilidade. Escândalos recorrentes, negociações pouco transparentes e a prática do chamado “toma-lá-dá-cá” alimentam a percepção de que parte da classe política está mais comprometida com interesses corporativos ou pessoais do que com o bem coletivo.
Já o Poder Judiciário, guardião da Constituição e da justiça, também tem sido alvo de críticas e questionamentos. Decisões controversas, interpretações jurídicas que parecem variar conforme o contexto político e a crescente judicialização da política contribuem para um ambiente de desconfiança institucional.
Esse cenário, quando observado em conjunto, revela algo ainda mais preocupante: a erosão da confiança pública nas instituições. Quando o cidadão deixa de acreditar nos pilares que sustentam a democracia, abre-se espaço para o descrédito, o radicalismo e o enfraquecimento do próprio regime democrático.
Não se trata de negar avanços ou ignorar os esforços de muitos servidores públicos, parlamentares, magistrados e gestores que atuam com seriedade e compromisso. Eles existem e são fundamentais para manter viva a esperança de um país mais justo. Porém, é impossível ignorar que os episódios de corrupção, abusos de poder, disputas institucionais e incoerências éticas acabam falando mais alto no imaginário coletivo.
O verdadeiro legado que uma nação deixa para seus jovens não está apenas em obras físicas, indicadores econômicos ou programas de governo. Está, sobretudo, na qualidade moral de suas instituições e na confiança que elas inspiram na sociedade.
Se quisermos responder com dignidade à pergunta sobre que Brasil deixaremos para as futuras gerações, será necessário mais do que discursos ou promessas de campanha. Será preciso reconstruir valores, fortalecer a ética pública, exigir responsabilidade dos governantes e resgatar o verdadeiro sentido de serviço à nação.
Porque, no fim das contas, uma República não se sustenta apenas por suas leis, mas pela integridade daqueles que têm o dever de cumpri-las.
(*) Professor, psicopedagogo e analista político
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