ANTES DE CRITICAR A SUJEIRA NAS ROUPAS DO VARAL DO VIZINHO, LEMBRE-SE DE LIMPAR ANTES A VIDRAÇA DA SUA JANELA

A esquerda brasileira enxerga sujeira na vidraça da direita olhando pelas suas próprias vidraças


Por Taciano Medrado*

Vou começar este artigo opinativo narrando uma pequena historinha.

Certa senhora tinha o hábito de, todas as manhãs, observar pela vidraça da sala o varal da vizinha. Quase sempre comentava com o marido, em tom de reprovação, que a vizinha não sabia lavar roupas. Segundo ela, não adiantava a mulher lavar, pois as peças continuavam aparentemente sujas quando eram estendidas no varal.

Dia após dia a cena se repetia. A mulher olhava pela janela, via as roupas no varal e reclamava:

Essa vizinha precisa aprender a lavar roupa direito.

Até que, numa manhã qualquer, ao olhar novamente pela vidraça, ela gritou surpresa:

— Finalmente! Agora sim as roupas da vizinha estão limpas!

O marido, que ouvia aquilo há muito tempo com paciência, respondeu calmamente:

Na verdade, as roupas da vizinha sempre estiveram limpas. O problema era que a nossa vidraça estava suja. Eu a limpei hoje cedo.

Essa pequena história traz uma lição simples, mas profundamente atual, especialmente quando aplicada ao ambiente político brasileiro.

No debate público de hoje, parte significativa da esquerda brasileira se coloca frequentemente na posição de observadora crítica da direita. Aponta falhas, denuncia incoerências, acusa adversários e tenta assumir o papel de guardiã da moral política. Porém, muitas vezes, faz isso olhando através de uma vidraça que também carrega suas próprias manchas.

Ao longo das últimas décadas, o país testemunhou escândalos de corrupção, crises institucionais e contradições envolvendo praticamente todos os espectros ideológicos. Ainda assim, o discurso político insiste em adotar uma espécie de moral seletiva: quando o erro é do adversário, transforma-se em escândalo nacional; quando surge dentro do próprio campo político, rapidamente vira “perseguição”, “narrativa” ou “injustiça”.

A política brasileira passou a viver uma guerra permanente de versões, onde cada lado aponta o dedo para o outro, mas raramente aceita reconhecer suas próprias falhas. Assim como na história da vidraça, muitos acreditam estar enxergando a sujeira alheia quando, na verdade, o problema está na lente pela qual estão olhando.

O Brasil precisa amadurecer politicamente. Crítica é necessária em qualquer democracia, mas ela perde credibilidade quando não é acompanhada de autocrítica.

Antes de apontar o varal do vizinho, é preciso ter coragem de limpar a própria janela.

Porque, no fim das contas, a verdade pode ser bem mais simples do que muitos discursos ideológicos tentam fazer parecer: às vezes, as roupas do vizinho sempre estiveram limpas. O que estava sujo era apenas o vidro de quem olhava.

(*) Professor e psicopedagogo

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