Existe uma velha estratégia, muito usada na política, na comunicação e até em algumas relações pessoais: quando a casa cair, negue. Negue tudo. Negue sempre. Negue até o fim.
Não importa se há documentos, vídeos, áudios, ou análise de perícia técnica, testemunhas, registros digitais, prints de conversas ou até transmissões ao vivo. Nada disso importa. O manual do negacionismo moderno ensina que, diante de provas irrefutáveis, a melhor saída não é explicar, é negar com convicção.
A lógica é simples: se você repetir a mesma negativa muitas vezes, alguém acabará acreditando. E se ninguém acreditar, ao menos você cria confusão suficiente para que as pessoas não saibam mais em quem confiar. Em tempos de excesso de informação, a dúvida virou uma poderosa aliada da mentira.
Primeiro vem a negação absoluta: “Isso nunca aconteceu.”
Depois surge a relativização: “Não foi bem assim.”
Em seguida aparece a teoria conspiratória: “Estão querendo me destruir.”
E por fim, quando tudo já está escancarado, resta a última cartada: “Estão tirando tudo de contexto.”
É quase um roteiro previsível. As evidências se acumulam, as explicações desaparecem e a narrativa se adapta. O fato deixa de ser importante; o importante passa a ser sustentar a versão.
A ironia é que, muitas vezes, a realidade já está tão evidente que negar parece um exercício de ficção. Ainda assim, insiste-se na estratégia, porque ela tem funcionado em muitos casos. Afinal, no tribunal da opinião pública, a verdade nem sempre vence , às vezes vence quem grita mais alto.
E assim seguimos vivendo numa época curiosa: provas viram “interpretação”, fatos viram “narrativa” e mentiras repetidas ganham aparência de verdade.
No final das contas, quando alguém pergunta “A casa caiu?”, a resposta padrão parece já vir pronta:
— Não caiu.
— Nunca caiu.
— E se caiu, a culpa não é minha.
Mesmo que os escombros estejam espalhados por todos os lados.
(*) Professor, redator chefe e analista político
Não
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