Há dias que amanhecem tranquilos, com a promessa de serenidade e esperança. Mas há também manhãs que nos colocam à prova antes mesmo do primeiro café. Nesta quinta-feira (19), às 7h da manhã, fui despertado de forma abrupta por fortes batidas no portão da minha casa.
Ao abrir a janelinha, vi um jovem que me pedia para capinar o mato acumulado em frente à residência. Respondi que não, pois entendo que a limpeza e a capina das ruas são responsabilidades da prefeitura. Diante da minha negativa, ele então pediu um copo de café. Expliquei que ainda nem havia escovado os dentes ou preparado o café da manhã e acrescentei que a forma como ele havia batido ao portão fora indelicada e inconsequente.
Inesperadamente, o jovem começou a me xingar com palavrões e a gritar para que toda a vizinhança ouvisse. Sempre procurei praticar a indulgência em minha porta. Dentro das minhas possibilidades, ajudo quem posso ajudar. Nunca, porém, havia sido destratado daquela maneira.
Pedi que ele parasse de gritar e de me ofender, advertindo que, se continuasse, eu acionaria a polícia. A situação piorou: exaltado, ele passou a bater ainda mais forte no portão, tomado por uma fúria que misturava desespero e descontrole.
Sei que quem enfrenta necessidades muitas vezes se vê dominado pelo desespero. A carência pode endurecer palavras e atitudes. Contudo, também é preciso compreender que ninguém é obrigado a atender a todos, a todo tempo, sobretudo quando o pedido vem acompanhado de agressividade.
No final, ele seguiu seu caminho ainda proferindo ofensas. A mim, restou a reflexão. Vivemos tempos difíceis, em que a fragilidade emocional e social de muitos transborda nas relações mais simples do cotidiano.
Só me resta pedir a Deus por ele e por sua família. Que encontre dignidade, equilíbrio e paz. E que nós, mesmo diante das provações, não deixemos que a amargura do mundo nos roube a serenidade do coração.
(*) Professor e Psicopedago
Não
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