Data já foi símbolo do sagrado feminino e da fertilidade antes de ser rotulada como dia de azar na Idade Média
A Sexta-Feira 13, popularmente associada ao azar e ao mau agouro, carrega uma história bem diferente daquela propagada pelo imaginário popular contemporâneo. O que hoje é tratado como sinônimo de superstição e medo já foi, em tempos antigos, um dia de celebração, força espiritual e reverência ao sagrado feminino.
Demonização na Idade Média
Historiadores apontam que, antes da consolidação do cristianismo na Europa medieval, o número 13 possuía forte simbologia positiva em culturas pagãs. Representava ciclos naturais, fertilidade, magia e conexão com a natureza, elementos ligados à energia feminina e ao calendário lunar.
Com a expansão do cristianismo na Idade Média, diversas práticas pagãs foram classificadas como heréticas ou profanas. Nesse contexto, a Sexta-Feira 13 passou a ser vista sob uma ótica negativa, contribuindo para a construção da ideia de “dia de azar” que atravessou séculos.
Como surgiu a associação com o azar?
A relação entre o número 13 e a má sorte possui raízes antigas, embora não haja consenso absoluto sobre sua origem. Em algumas civilizações, o número já era considerado misterioso ou fora da ordem tradicional, já que o 12 representava perfeição (12 meses, 12 signos, 12 apóstolos).
A associação direta da Sexta-Feira 13 com o infortúnio ganhou força no século XIX, especialmente após a publicação do livro “Viagem à Itália”, de Thomas W. Lawson, que ajudou a popularizar a superstição. A partir daí, a literatura e a cultura popular ampliaram a crença, transformando a data em um fenômeno cultural.
No campo religioso, algumas narrativas passaram a reforçar a visão negativa da data, ainda que sem comprovação histórica sólida. Entre os episódios frequentemente mencionados estão:
A presença de Judas como o 13º participante da Última Ceia;
A suposta destruição do Templo de Salomão em uma sexta-feira 13;
A saída da Arca de Noé durante o Dilúvio;
O episódio do fruto proibido de Adão e Eva;
O assassinato de Abel por Caim.
Especialistas ressaltam, contudo, que tais associações não possuem base histórica concreta e fazem parte da construção simbólica posterior.
O resgate do sagrado feminino
Para tradições pagãs, a Sexta-Feira 13 permanece um dia de forte significado espiritual. A data é associada à reverência ao sagrado feminino e ligada a divindades como Frigga (ou Frigg), deusa nórdica da fertilidade, do amor e do destino, e Vênus, deusa romana do amor, da beleza e da fertilidade.
Nessa perspectiva, o número 13 simboliza os ciclos lunares anuais , tradicionalmente 13, reforçando a conexão com a natureza, renovação da vida e energia feminina. Rituais e celebrações são realizados para honrar essa simbologia, resgatando um significado positivo muitas vezes esquecido.
Entre superstição e reflexão
A história demonstra que a Sexta-Feira 13 não nasceu como um dia de azar, mas foi gradualmente revestida por interpretações culturais e religiosas ao longo dos séculos.
No fim das contas, mais do que um presságio negativo, a data pode ser encarada como oportunidade de reflexão sobre como crenças são construídas, e, muitas vezes, desconstruídas pela própria história.
Para alguns, é superstição. Para outros, é celebração. O que não se pode negar é que a Sexta-Feira 13 continua sendo um fenômeno cultural que atravessa gerações.
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